Inflação dá susto em outubro e reforça cautela do BC

quarta-feira, 7 de novembro de 2007 12:51 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação brasileira teve um repique em outubro, o que ajuda a explicar o tom cauteloso adotado pelo Banco Central em relação à política de juros no país. O soluço, entretanto, não compromete o cumprimento da meta da inflação deste ano, mostraram dados divulgados nesta quarta-feira.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador "oficial" de inflação, fechou outubro com uma alta de 0,30 por cento, depois de ter avançado 0,18 por cento em setembro, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Veio tudo ruim... a inflação precisa ser monitorada sim", afirmou Zeina Latif, economista-chefe para Brasil do ABN Amro, fazendo coro aos comentários do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que frisou na ata de sua última reunião que a "prudência" passa a ter papel "ainda mais importante" no atual cenário econômico.

No encontro de outubro, o Copom interrompeu o ciclo de dois anos de cortes da taxa básica de juro. A manutenção da Selic em 11,25 por cento ao ano foi decidida por unanimidade.

A alta do IPCA no mês passado ficou acima das estimativas dos analistas consultados pela Reuters, que esperavam uma avanço de 0,20 por cento, de acordo com as 36 projeções coletadas.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, economista do IBGE, o repique refletiu, em boa medida, a alta de produtos sazonais, como frutas, cenoura, batata e cebola. Para a economista, esses aumentos são passageiros.

"Não há nenhuma pressão relevante prevista para novembro. Não tem porque se esperar números maiores. As evidências não mostram uma mudança na trajetória de redução do indicador de 12 meses", afirmou.

De janeiro a outubro, o IPCA acumulou uma alta de 3,30 por cento. Nos últimos 12 meses o avanço foi de 4,12 por cento, abaixo dos 4,15 por cento acumulados até setembro --neste tipo de comparação-- e também abaixo do centro da meta de inflação, que é de 4,5 por cento.   Continuação...