Lula foi grande ausente de reunião que pôs fim a crise latina

sexta-feira, 7 de março de 2008 19:35 BRT
 

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o grande ausente na reunião dos países latino-americanos do Grupo do Rio, que encerrou a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela nesta sexta-feira, na República Dominicana.

O Palácio do Planalto informou que Lula havia desistido de participar da cúpula, por considerá-la esvaziada, ainda em dezembro, muito antes da tensão entre os países. De lá para cá, agendou compromissos no Rio de Janeiro que não poderia adiar, segundo o Planalto.

Até porque, se adiasse a agenda agora, sua presença na reunião seria "superestimada", na avaliação de um assessor.

Lula recebeu pressões para comparecer ao encontro por parte das presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Chile, Michelle Bachelet, envolvidas, assim como o presidente brasileiro, com a busca da paz na região. Ambas compareceram à cúpula.

Apesar das pressões, Lula considerou que não poderia cancelar o já anunciado lançamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em três favelas cariocas e os compromissos desta sexta e de sábado, também no Rio, ao lado do presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, para lembrar os 200 anos da vinda da família real ao Brasil.

Lula enviou à República Dominicana o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que teria recebido "carta branca" para atuar em nome do país, de acordo com o Planalto.

A crise teve origem na incursão de tropas colombianas no território do Equador, no sábado, quando foi morto o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes. A Venezuela se envolveu no conflito enviando militares para a fronteira com a Colômbia, assim como o Equador. Os dois países também romperam relações diplomáticas com a Colômbia.

A violação do território foi reconhecida, mas não condenada, pela Organização dos Estados Americanos (OEA) nesta semana.

Na cúpula do Grupo do Rio, depois de discursos acalorados, os dirigentes da Colômbia, Álvaro Uribe, do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela, e Hugo Chávez, selaram uma paz simbólica com apertos de mão.

No final deste mês, entre os dias 28 e 29, os líderes latino-americanos têm novo encontro, no âmbito da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), agendado para Cartagena, na Colômbia. Está prevista a presença do presidente Lula.