7 de Julho de 2008 / às 12:08 / 9 anos atrás

Aracruz vê preços de celulose em alta no longo prazo

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo, a Aracruz, vê o atual cenário da indústria com otimismo, prevendo estabilidade de preços a curto prazo e alta no longo.

“Não tenho dúvida em relação ao longo prazo (sobre alta dos preços). No curto prazo é mais difícil fazer previsão, mas nesse período, com o mercado equilibrado, acho que se mantêm”, afirmou o vice-presidente financeiro da Aracruz, Isac Zagury, em entrevista à Reuters nesta segunda-feira.

Atualmente, o preço médio da tonelada de celulose está em 840 dólares, depois de dois aumentos aplicados pela empresa no segundo trimestre.

A companhia divulgou nesta segunda-feira queda de 18 por cento no lucro líquido do segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para 262,1 milhões de reais, pressionado por alta de custos de insumos que insidem na madeira usada na produção de celulose, como transporte, bem como em produtos químicos usados em sua produção, além do gás natural.

“Existe alguma margem de manobra, mas espaço de negociação não é tão grande. No Brasil, os preços desses produtos não aumentaram tanto como no mercado internacional, o governo tem procurado manter isso muito tabelado”, disse Zagury.

A empresa deve anunciar este ano um terceiro projeto de expansão de sua capacidade produtiva, depois dos investimentos de cerca de 2,6 bilhões de dólares para ampliar sua unidade de Guaíba, no Rio Grande do Sul. Por enquanto, “a grande prioridade (para localização da nova unidade) é Minas Gerais, por sua proximidade de nosso porto no Espírito Santo, o que traria vantagens em termos de logística”, disse Zagury.

O novo projeto tem data de início de operação em 2015 e teria capacidade de 1,4 milhão de toneladas. A referência da nova empreitada em termos de investimento é a expansão de Guaíba, disse o executivo, acrescentando que o orçamento ainda não foi definido.

A Aracruz tem meta de atender 25 por cento da demanda global por celulose de fibra curta até 2015, o equivalente a 7 milhões de toneladas anuais via expansões de capacidade produtiva.

As ações da Aracruz fecharam em queda de 1,7 por cento, nesta segunda-feira, cotadas a 10,96 reais, abaixo do pico 9 de junho, de 14,39 reais, maior valor desde 2006. Mas Zagury aponta um movimento geral de investidores internacionais vendendo ações de muita liquidez em um momento de baixa no mercado acionário. “Acho que há uma oportunidade de compra. Está muito barata (a ação)”, afirmou o executivo.

RESULTADOS

A geração de caixa da Aracruz medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de 354,4 milhões de reais, recuo de 18 por cento sobre o segundo trimestre de 2007 e de 3 por cento sobre os primeiros três meses de 2008, em termos ajustados.

A margem Ebitda caiu 4 pontos percentuais na comparação com um ano antes, para 40 por cento.

A empresa encerrou o trimestre com produção de 788 mil toneladas de celulose, alta de 3 por cento sobre o segundo trimestre de 2007 e queda de 1 por cento sobre os primeiros três meses do ano.

Já as vendas da matéria-prima do papel somaram 773 mil toneladas, queda 7 por cento ante o vendido um ano antes e alta de 6 por cento frente ao primeiro trimestre.

A analista Lika Takahashi, da corretora Fator, afirmou em relatório que o resultado operacional da empresa ficou abaixo de suas expectativas, mas manteve classificação “outperform” (acima da média do mercado) para as ações da companhia, com preço-alvo de 17 reais para o final do ano.

A companhia informou que nos primeiros cinco meses do ano, a demanda por celulose de eucalipto subiu 22 por cento em relação ao mesmo período de 2007, puxada por expansão de 66 por cento ocorrida na China. O país, em 12 meses até maio, importou um recorde de 7,3 milhões de toneladas de celulose do mercado, segundo a Aracruz.

Edição de Vanessa Stelzer

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