Aracruz vê preços de celulose em alta no longo prazo

segunda-feira, 7 de julho de 2008 17:19 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo, a Aracruz, vê o atual cenário da indústria com otimismo, prevendo estabilidade de preços a curto prazo e alta no longo.

"Não tenho dúvida em relação ao longo prazo (sobre alta dos preços). No curto prazo é mais difícil fazer previsão, mas nesse período, com o mercado equilibrado, acho que se mantêm", afirmou o vice-presidente financeiro da Aracruz, Isac Zagury, em entrevista à Reuters nesta segunda-feira.

Atualmente, o preço médio da tonelada de celulose está em 840 dólares, depois de dois aumentos aplicados pela empresa no segundo trimestre.

A companhia divulgou nesta segunda-feira queda de 18 por cento no lucro líquido do segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para 262,1 milhões de reais, pressionado por alta de custos de insumos que insidem na madeira usada na produção de celulose, como transporte, bem como em produtos químicos usados em sua produção, além do gás natural.

"Existe alguma margem de manobra, mas espaço de negociação não é tão grande. No Brasil, os preços desses produtos não aumentaram tanto como no mercado internacional, o governo tem procurado manter isso muito tabelado", disse Zagury.

A empresa deve anunciar este ano um terceiro projeto de expansão de sua capacidade produtiva, depois dos investimentos de cerca de 2,6 bilhões de dólares para ampliar sua unidade de Guaíba, no Rio Grande do Sul. Por enquanto, "a grande prioridade (para localização da nova unidade) é Minas Gerais, por sua proximidade de nosso porto no Espírito Santo, o que traria vantagens em termos de logística", disse Zagury.

O novo projeto tem data de início de operação em 2015 e teria capacidade de 1,4 milhão de toneladas. A referência da nova empreitada em termos de investimento é a expansão de Guaíba, disse o executivo, acrescentando que o orçamento ainda não foi definido.

A Aracruz tem meta de atender 25 por cento da demanda global por celulose de fibra curta até 2015, o equivalente a 7 milhões de toneladas anuais via expansões de capacidade produtiva.   Continuação...