Governo de SP gasta R$108 mi com cartão mas não detalha despesa

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 11:30 BRST
 

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - Os gastos com cartões de débito do governo do Estado de São Paulo no ano passado somaram mais da metade das despesas totais com cartões corporativos e cheques efetuadas pelo governo federal. Totalizaram 108,3 milhões de reais em São Paulo frente a 177,5 milhões de reais na União.

Do volume de desembolsos do governo paulista, os saques em dinheiro --os de mais difícil fiscalização-- atingiram 48,3 milhões de reais, o que significa 44 por cento das despesas com cartão no Estado.

O levantamento sobre as despesas com cartão no primeiro ano do governo José Serra (PSDB) foi realizado pela liderança do PT na Assembléia Legislativa por meio do Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo).

"Além do alto volume de despesas pagas com cartão, os saques diretos também são suspeitos. Pagar com o próprio cartão é melhor, o controle é maior", disse o líder do PT, Simão Pedro. O deputado também critica o número de servidores autorizados a utilizar os cartões: 42 mil.

Os cartões corporativos utilizados pelo governo Lula estão no foco de denúncias que apontam uso irregular por ministros e seguranças que atendem familiares do presidente. As acusações derrubaram a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, na semana passada, e o Planalto anunciou medidas para coibir o mau uso. Agora as denúncias atingem o governo Serra.

SAÚDE À FRENTE

Os dados da liderança petista indicam que a secretaria da Saúde paulista liderou os gastos com cartão no ano passado, atingindo 32 milhões de reais. A secretaria também foi a que mais efetuou saques em dinheiro (17,3 milhões de reais). Na sequência vêm as secretarias da Educação, com gastos totais de 30,4 milhões de reais, e da Segurança Pública, com 24,4 milhões de reais. Nesta secretaria, os saques somaram 14 milhões de reais.

A própria Assembléia Legislativa gastou 118 mil reais, um dos menores valores da pesquisa. E mesmo em secretarias com gasto baixo, como é o caso da Casa Civil (619 mil reais), grande parte foi realizada por saques (408 mil reais).   Continuação...