Colômbia impedirá comissões como a enviada pela Venezuela

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 18:02 BRST
 

Por Luis Jaime Acosta

BOGOTÁ (Reuters) - A Colômbia impedirá a entrada de comissões internacionais como a organizada pela Venezuela para a fracassada operação destinada a receber três reféns, incluindo um garoto, sequestrados pela guerrilha esquerdista, anunciou na segunda-feira o chanceler Fernando Araújo.

Integrantes dessa comissão chegaram com um discurso carregado contra o presidente Alvaro Uribe e a favor das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acrescentou ele.

"Estão formadas por pessoas que não conhecem a situação colombiana nem as Farc. Por isso, vêm atacar o governo e defender a guerrilha. O resultado desta gestão foi ruim", declarou Araújo a jornalistas.

A Colômbia autorizou a entrada de uma comissão internacional liderada pela Venezuela para receber as políticas Consuelo González, Clara Rojas e seu filho Emmanuel, a quem a guerrilha prometeu entregar a Chávez.

Entre os membros da comissão estava o assessor especial da Presidência do Brasil para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Havia também representantes dos governos da Argentina, Bolívia, Cuba, Equador, França e Suíça, além do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Os representantes de cada um destes países viajaram para Venezuela e Colômbia para acompanhar a operação, que incluiu até o produtor de cinema dos Estados Unidos Oliver Stone, que, autorizado por Chávez, buscava filmar o resgate.

Araújo, em uma crítica implícita a declarações feitas por Stone, garantiu que muitas pessoas se deixaram enganar "e todavia insistem em comentários acerca de interesses equivocados do governo colombiano".

As Farc anunciaram a libertação dos três reféns como um ato de desagravo ao presidente da Venezuela, depois que Uribe suspendeu sua mediação com os rebeldes para buscar a libertação de 47 reféns, incluindo a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e três norte-americanos.

Segundo analistas, a guerrilha sofreu um duro revés em sua credibilidade quando descumpriu a promessa de entregar os reféns e admitiu que não tinha em seu poder Emmanuel, filho de Rojas com um rebelde.