BOVESPA-Bastante volátil, índice retoma pessimismo e cai

quarta-feira, 8 de outubro de 2008 11:49 BRT
 

SÃO PAULO, 8 de outubro (Reuters) - A Bolsa de Valores de São Paulo operava com forte instabilidade nesta quarta-feira, seguindo o movimento errático de Wall Street, após a ação coordenada de bancos centrais para tentar amenizar os efeitos da crise financeira sobre a economia global.

Depois de ter chegado a cair mais de 6 por cento logo nos primeiros minutos de pregão, o Ibovespa .BVSP chegou a reverter, mas logo retomou a tendência inicial. Às 11h44, o índice exibia queda de 3,74 por cento, a 38.637 pontos.

O volume financeiro negociado era de 2,2 bilhões de reais.

Os mercados acionários internacionais custavam a firmar opinião consistente sobre o impacto das medidas anunciadas pela manhã. O Federal Reserve (banco central norte-americano), o Banco Central Europeu e autoridades monetárias de outros países anunciaram um corte de 0,5 ponto porcentual do juro de suas respectivas economias.

Para profissionais do mercado, embora as medidas possam amortecer os efeitos da crise financeira sobre a economia global, isso será insuficiente para restabelecer a confiança dos investidores, após o colapso de bancos gigantes nos Estados Unidos e Europa.

Análise que se firmou depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) emitir uma relatório no qual previu que a economia mundial está entrando em forte desaceleração diante do mais perigoso choque dos mercados financeiros maduros desde a década de 1930.

"Diante disso, as medidas anunciadas hoje dão a impressão de que há um pouco de desespero dos governos", disse Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB. "A política monetária tem efeito limitado, porque se trata de uma crise de confiança."

"A esperada ação coordenada dos BCs tem efeitos pouco convincentes sobre a crise de crédito", concordou José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator, em relatório.

Diante de um cenário global de forte desaceleração econômica, quedas mais pronunciadas das matérias-primas empurravam para baixo as ações de maior peso no Ibovespa.

Petrobras (PETR4.SA: Cotações) caía 5,3 por cento, para 26,80 reais, na cola do barril de petróleo CLc1, que voltava a ser negociado abaixo de 90 dólares. Dentre as siderúrgicas, Gerdau (GGBR4.SA: Cotações) despencava 8,4 por cento, para 14,84 reais.

(Reportagem de Aluísio Alves; Edição de Alexandre Caverni)