Oposição tenta CPI mista para cartões,mas Chinaglia acha difícil

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 17:22 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - Mesmo com a iniciativa do governo de investigar o uso de cartões corporativos em uma CPI no Senado, a oposição montou um esquema de guerra para colher assinaturas que permitam uma CPI mista com o mesmo fim.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do requerimento para a CPI mista, disse que a oposição acredita na instalação da comissão e por isso se articula para colher as assinaturas.

Encabeçam a colheita os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), Luiza Erundida (PSB-SP), Julio Delgado (PSB-MG), Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ). No Senado, estão encarregados os líderes Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino Maia (DEM-RN).

São necessárias no mínimo 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. O objetivo da oposição é protocolar o pedido na quarta-feira.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que a CPI mista defendida pela oposição é tecnicamente possível, mas politicamente difícil.

"Nesta corrida o governo saiu na frente", afirmou, acrescentando que acha pouco provável a coexistência de duas CPIs para um mesmo assunto.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou nesta quinta-feira que, atendidas as determinações constitucionais, a CPI proposta pelo governo para investigar os cartões corporativos deve ser instalada.

"Se a CPI estiver nos termos da lei, da Constituição e do regimento não há o que discutir", disse Garibaldi a jornalistas.

Apesar desta posição, Garibaldi afirmou que vai reunir os líderes dos partidos na próxima terça-feira para debater o assunto.

Na quarta-feira, data do início do ano legislativo, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), formalizou requerimento para a instalação de uma CPI para apurar irregularidades com cartões corporativos, mas retroativa a 1998, o que também atinge o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

(Texto de Carmen Munari; Edição de Mair Pena Neto)