August 7, 2008 / 11:41 AM / 9 years ago

RPT-Lucro da VALE sobe em dólar mas cai 21,7% em real

5 Min, DE LEITURA

(Repete matéria publicada na noite de 4a-feira)

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 7 de agosto (Reuters) - Embarques recordes de minério de ferro, aliados ao aumento do preço do seu principal produto, garantiram à Vale (VALE5.SA) o seu melhor resultado da história no segundo trimestre do ano pelas normas contábeis norte-americanas (USGAAP), mas não evitaram queda no lucro pelos padrões brasileiros.

De abril a junho, a maior produtora de minério de ferro do mundo lucrou 5,009 bilhões de dólares em USGAAP, alta de 22,3 por cento em relação ao mesmo trimestre do ano passado, enquanto pelas normas brasileiras (BRGAAP) o lucro caiu para 4,573 bilhões de reais, ante 5,842 bilhões de reais há um ano, queda de 21,7 por cento.

"O resultado não operacional foi o principal contribuinte para a redução verificada no lucro (em reais) do trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior", informou a Vale em comunicado nesta quarta-feira.

Além de impactos cambiais negativos de 1,425 bilhão de reais no segundo trimestre deste ano, as participações societárias da Vale pesaram negativamente nos números da empresa, com perda de 944 milhões de reais.

Mesmo assim, a receita bruta da empresa, tanto em dólar como em reais foi recorde no segundo trimestre, de 10,9 bilhões de dólares e 18,884 bilhões de reais, respectivamente.

De acordo com a Vale, o aumento da receita se deve ao ajuste no preço do minério de ferro, da ordem de 65 a 71 por cento, obtido junto aos clientes para os contratos deste ano, aliado a maiores vendas.

A empresa teve embarques recordes do seu principal produto no segundo trimestre, de 78,858 milhões de toneladas métricas, crescimento de 7,9 por cento em relação ao segundo trimestre de 2007.

Já o níquel, segundo produto da companhia após a compra da canadense Inco, registrou queda de receita nos dois balanços devido a preços menores. Em reais, a receita caiu pela metade, de 6,3 bilhões de reais para 3,2 bilhões de reais, enquanto em dólar caiu de 3,196 bilhões de dólares para 1,870 bilhão de dólares em um ano.

"Os movimentos distintos nos preços do minério de ferro (alta) e do níquel (baixa) exerceram influência relevante na determinação da composição da receita por produto e por destino no 2T08", informou a Vale em nota.

A companhia informou que o peso dos minerais não ferrosos na receita passou de 51 por cento para 31,9 por cento em um ano, e a contribuição dos minerais ferrosos tornou-se mais importante, evoluindo de 41,1 por cento para 59,5 na mesma comparação.

As vendas para a China, principal destino do minério de ferro e pelotas da Vale, elevaram-se para 24,301 milhões de toneladas métricas do produto, respondendo por 30,9 por cento do volume vendido. As vendas no Brasil, segundo principal destino, responderam por 15,7 por cento da receita, no Japão 10,7 por cento, na Alemanha 6,7 por cento e na Coréia do Sul 5,2 por cento.

O lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações, conhecido pela sigla em inglês Ebitda, foi de 6,2 bilhões de dólares no segundo trimestre, alta de 23 por cento em relação ao resultado do mesmo período do ano passado, de 5,057 bilhões de dólares.

Em reais, a Ebitda ficou praticamente estável, em 10,5 bilhões de reais contra 10,3 bilhões de reais há um ano.

PRODUÇÃO

A produção de minério de ferro da Vale atingiu 78,05 milhões de toneladas no segundo trimestre deste ano, segundo as normas contábeis brasileiras, crescimento de 3,3 por cento em relação ao mesmo período de 2007.

No primeiro trimestre do ano, a produção da maior mineradora de ferro do mundo foi de 74,48 milhões de toneladas.

A Vale produziu 152,53 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro semestre, contra 142,89 milhões de toneladas nos primeiros seis meses de 2007.

A produção de níquel da Vale, que foi recorde no trimestre, atingiu 69 milhões de toneladas, contra 63 milhões no mesmo período do ano passado e ante 61 milhões de toneladas nos primeiros três meses do ano. A Vale é a segunda maior produtora de níquel do mundo.

(Com reportagem adicional de Roberto Samora)

Edição de Roberto Samora

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