OCDE elogia economia da América Latina mas critica desigualdade

quarta-feira, 7 de novembro de 2007 15:59 BRST
 

Por Antonio de la Jara

SANTIAGO (Reuters) - A América Latina mostra boas taxas de crescimento, mas ainda pode fazer mais em matéria fiscal, previdência social e intercâmbio comercial para derrotar os maiores níveis de desigualdade do mundo, disse a OCDE nesta quarta-feira.

Em seu primeiro estudo anual sobre "Perspectivas Econômicas da América Latina em 2008", a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destacou que o nível de crescimento da região e a estabilidade democrática são uma norma, e não uma mera exceção.

Mesmo assim, a OCDE afirmou em um relatório distribuído em Santiago que os governos não podem "ignorar os desafios que exigem a luta contra a pobreza e a desigualdade no momento em que fomentam o desenvolvimento e o crescimento econômico estável e sustentável".

O órgão destacou que a América Latina tem os maiores níveis de desigualdade do mundo, já que cerca de 40 por cento da população, aproximadamente 200 milhões de pessoas, vivem em condições de pobreza.

A OCDE, com sede em Paris, frisou que as reformas fiscais disparadas pela América Latina nos anos oitenta e noventa produziram avanços importantes e resultados positivos.

"Ainda falta muito por fazer", disse a OCDE, acrescentando que o "Brasil arrecada e gasta muito", enquanto outros países da região precisam contar com melhores sistemas de arrecadação e maior qualidade no gasto público.

A América Latina lidera o mundo em matéria de sistema de pensões "ao oferecer uma fonte confiável de ingresso para as pensões dos trabalhadores e reduzir os problemas fiscais que os sistemas existentes trazem para as contas públicas".

O órgão apontou que a reforma no sistema de pensões implantado no Chile em 1981 foi um modelo, não apenas para os 9 países da região como para vários países fora da América Latina, incluindo alguns da OCDE. O Brasil é o único que não realizou uma reforma similar.

Ainda assim, a OCDE lembrou que a implementação dos sistemas de pensão deve ser acompanhada de outras reformas, junto a uma consolidação fiscal e a uma maior poupança interna.