Para Meirelles, custo das reservas compensa benefícios ao país

sexta-feira, 7 de março de 2008 14:37 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sinalizou nesta sexta-feira que o programa de fortalecimento das reservas internacionais deve continuar.

"A crise atual mostra a grande vantagem da acumulação de reservas", afirmou no Rio de Janeiro quando questionado sobre as críticas de alguns analistas sobre o custo de manutenção desse colchão internacional. "O custo tem sido menor que os benefícios que (as reservas) trazem."

As reservas internacionais brasileiras estão no patamar recorde de 190 bilhões de dólares e têm sido construídas, principalmente, com compras diárias de dólar no mercado à vista de câmbio.

As operações acabam provocando o aumento do endividamento interno, já que o excesso de reais no mercado acaba sendo recolhido pelo BC por meio de leilões de títulos públicos. E os papéis brasileiros garantem ao mercado juros mais altos que os obtidos com as reservas internacionais, geralmente aplicadas em títulos como os do Tesouro norte-americano.

Meirelles reafirmou sua avaliação de que o Brasil está hoje melhor preparado para enfrentar a crise internacional, originada no mercado imobiliário dos Estados Unidos, e manteve a estimativa de crescimento de 4,5 por cento neste ano --já indicada no último Relatório de Inflação do BC.

"O momento é de expectativa, à medida que o IBGE vai divulgar na próxima semana o numero de 2007. A partir daí vamos começar a refazer as nossas análises para publicar a nossa previsão para 2008", disse após participar do encontro do Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês).

"Os primeiros reflexos no Brasil e nas economias emergentes foram menores do que se esperava, o preço das commodities são um bom indicativo disso. Mas, evidentemente, é muito prematuro ainda para que cheguemos a alguma conclusão."

Meirelles segue para a reunião periódica do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), em Basiléia, neste final de semana e destacou que será especialmente importante para analisar a crise global.

(Por Daniela Machado e Elzio Barreto)