PANORAMA2-Petróleo, dólar e crédito assombram bolsas nos EUA

quarta-feira, 7 de novembro de 2007 19:32 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 7 de novembro (Reuters) - A convergência de vários fatores negativos derrubou as ações norte-americanas nesta quarta-feira, arrastando junto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e trazendo volatilidade para o mercado de câmbio no Brasil.

No momento mais tenso dos mercados no Brasil, os principais índices de Wall Street caíam 2 por cento. Na lista de preocupações estavam o petróleo perto de 100 dólares por barril, a queda global do dólar e o medo de novos problemas no setor financeiro por conta do mercado de crédito de alto risco.

"Há muito medo no mercado em relação à queda do dólar, e há as preocupações com o subprime (crédito de alto risco). Quando temos o petróleo a 100 dólares, eu acho que o consumidor vai reagir de forma exagerada e se retrair, o que vai impactar o mercado", disse Ernest Csak, vice-presidente da Knight Equity Markets, em Jersey City, Nova Jersey.

O petróleo, na verdade, acabou fechando em queda em Londres e em Nova York. Mas, durante o dia, chegou a superar os 98 dólares por barril nos Estados Unidos. Na Europa, ações de companhias aéreas sentiram o baque de uma possível alta do combustível e tiveram queda generalizada.

A queda do dólar diante das principais moedas do mundo também incomodou os investidores. O euro EUR= superou 1,47 dólar, e a libra e o franco suíço operaram em níveis que não eram vistos há vários anos.

A baixa da moeda norte-americana foi acentuada nesta sessão por comentários de um importante parlamentar chinês, que disse que as reservas internacionais do país --que superam 1,4 trilhão de dólares-- devem ter uma menor proporção da moeda.

O movimento do dólar no exterior contaminou o mercado de câmbio no Brasil e, junto com o fluxo positivo, ajudou a colocar a moeda em baixa durante parte da sessão. A maior aversão a risco --refletida na queda das bolsas-- porém, prevaleceu sobre o dólar, que fechou em alta no país.

Na agenda econômica interna, dados do Banco Central mostraram que, em outubro, o país registrou fluxo cambial positivo de 6,722 bilhões de dólares. No ano, a entrada líquida de moeda já supera 76 bilhões de dólares.   Continuação...