Abegás acena com recuo de investimentos e rebate Petrobras

quarta-feira, 7 de novembro de 2007 19:20 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As distribuidoras de gás natural no Brasil colocaram em compasso de espera os planos de investimentos de mais de 6 bilhões de reais nos próximos cinco anos diante da crise do setor, informou o presidente da Abegás, Armando Laudorio.

Ele se disse indignado com as declarações do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, nesta quarta-feira, de que a culpa do corte de fornecimento de Gás Natural Veicular (GNV) foi das distribuidoras.

Laudorio lembrou que a maior dona de postos de GNV no Brasil é a própria estatal, que sempre teria incentivado o aumento do uso do combustível.

"A Petrobras saiu em campo divulgando o plano de gás natural e incentivando as distribuidoras a expandirem a malha, todo mundo acabou investindo, mas agora vão ter mais cautela para investir", afirmou Laudorio à Reuters, lembrando que situações instáveis afastam qualquer investidor.

Ele informou que as distribuidoras tentam há cinco anos negociar com a Petrobras, sem sucesso, novos contratos com volumes condizentes com o crescimento anual de cerca de 20 por cento do mercado de gás. Nos últimos 10 anos, segundo Laudório, essas empresas investiram 6 bilhões de reais e se preparavam para repetir o montante na metade do tempo.

"Nos últimos três, quatro anos, houve uma divulgação de um plano do uso de gás natural no Brasil pela própria Petrobras, esse foi o sinal dado pela Petrobras e pelo governo federal", disse o representante das 27 distribuidoras de gás do país.

A Petrobras cortou parte do fornecimento de gás para as distribuidoras no dia 30 de outubro por falta de combustível para atender toda a demanda do mercado, depois que o Operador Nacional do Sistema determinou que a empresa abastecesse as termelétricas do país para poupar os reservatórios hidrelétricos.

Segundo Laudorio, o fornecimento maior de gás do que o contratado para as distribuidoras é um "acordo tácito" entre essas empresas e a estatal, e não poderia ter sido rompido como foi na semana passada.   Continuação...