8 de Outubro de 2008 / às 21:42 / em 9 anos

ANÁLISE-Câmbio afeta frigoríficos agora, mas gera ganho à frente

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 8 de outubro (Reuters) - Os frigoríficos exportadores de carne bovina do Brasil, que dominam as vendas no mercado internacional, podem sofrer perdas financeiras no terceiro trimestre devido à forte oscilação cambial, mas certamente terão ganhos no período seguinte, pois gerarão mais reais com suas vendas externas, disseram um integrante da indústria e uma fonte do setor.

“Todas essas empresas devem apresentar alguma perda com câmbio, no hedge... é o caso de empresas que trabalhavam alavancadas... acharam que o dólar fosse cair e subiu...”, disse um especialista no mercado que pediu para não ser identificado.

“Só que o dólar se mantendo nos níveis elevados, as exportações vão gerar mais reais, então há um ganho, tem o impacto negativo no terceiro tri, e o impacto positivo vem no quarto tri”, acrescentou ele.

Desde agosto, o dólar BRBY subiu quase 50 por cento frente ao real, e nesta quarta-feira só não fechou em alta novamente porque o Banco Central vendeu a moeda pela primeira vez em 5 anos.

Embora haja um “hedge natural” com as exportações, essas empresas do agronegócio foram, no setor, aquelas que mais fizeram aquisições no exterior, o que também levanta a preocupação da alta do dólar pelo lado do endividamento, segundo o especialista.

“No Minerva (BEEF3.SA), mais da metade da dívida é em dólar, o JBS (JBSS3.SA) tem uma operação grande em dólar, o Marfrig (MRFG3.SA) também. Tudo isso aí, o dólar sobe, fica com a dívida maior. Mas se a dívida for de longo prazo, não tem um efeito caixa... não precisa desembolsar dinheiro...”, declarou.

O endividamento financeiro total do Marfrig ao final do segundo trimestre era de 2,52 bilhões de reais, sendo a maior parte de 1,89 bilhão de reais de longo prazo.

“O Marfrig estava com uma dívida grande até o terceiro tri, porque ele fez aquisições, só que agora ele acabou uma emissão, o BNDESPar entrou comprando boa parte, e aí ele vai melhorar a posição de caixa, ele está com aproximadamente 1 bi (de reais) em caixa, em uma posição tranquila.”

No caso do JBS, cerca de 60 por cento do endividamento é em moeda estrangeira, mas a empresa afirma manter uma posição confortável da dívida líquida em relação ao Ebitda.

O analista citou ainda o caso extraordinário do JBS, que acabou ganhando dinheiro ao “travar o dólar” após a captação para pagar as aquisições do National Beef e da Smithfield nos EUA. [ID:nN30440322]

SITUAÇÃO CONFORTÁVEL

O Minerva, terceiro exportador de carne bovina do Brasil, depois do Marfrig (segundo) e do JBS (primeiro), tinha uma dívida total no segundo trimestre de 700 milhões de reais, a maior parte (661 milhões de reais) em moeda estrangeira, mas afirmou estar em situação tranquila, considerando que a receita gerada com exportações no ano é superior a esse montante.

“Temos hoje receita em dólares de 80 milhões por mês. Vai dar 900 milhões de dólares no ano”, disse o superintendente de Relações com Investidores do Minerva, Ronald Aitken, lembrando que 65 por cento dos ganhos da empresa são com exportações.

Ele ressaltou que a empresa praticamente não será afetada pela alta do dólar, pois “tem uma postura bastante conservadora”, buscando “se endividar sempre na proporção de receita”.

Aitken disse ainda que a dívida tem vencimento de longo prazo, em 2017, o que também conta a favor da empresa.

Edição de Marcelo Teixeira

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below