Miguel Jorge diz que indicou pessoalmente Erenice para BNDES

terça-feira, 8 de abril de 2008 16:07 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, assumiu nesta terça-feira a responsabilidade pela nomeação da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, para o conselho fiscal do BNDES.

Como titular do ministério, Miguel Jorge é o presidente do Conselho de Administração do banco e está hierarquicamente acima do presidente da instituição, Luciano Coutinho.

"Fui eu que nomeei, eu que escolhi", disse ele a jornalistas após cerimônia da Câmara de Comércio Americana.

Erenice Guerra foi apontada pelo jornal Folha de S.Paulo como a responsável pela elaboração de um suposto dossiê composto por gastos sigilosos de cartões corporativos do governo Fernando Henrique Cardoso.

Miguel Jorge afirmou que a escolha de Erenice ocorreu antes das denúncias, mas rechaçou a possibilidade de voltar atrás na decisão.

"Os critérios (para a nomeação) são experiência, conhecimento, foi uma decisão anterior e acho que não atrapalha em nada não. Foi decisão pessoal minha, não tem nenhuma razão para reverter a decisão", disse o ministro.

Ao rebater declaração do ex-presidente da Câmara Americana, Sidnei Levy, que sugerira não mais que dois mandatos para presidente do Brasil, Miguel Jorge lembrou-lhe que o presidente dos Estados Unidos nos anos 30, Franklin Roosevelt, teve mais de dois mandatos.

O ministro afirmou que a resposta não significa a defesa de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Foi só uma brincadeira (com o Levy). Ninguém está pensando nisso... O presidente é um constitucionalista ferrenho", disse Jorge. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)