8 de Novembro de 2007 / às 21:29 / 10 anos atrás

PANORAMA2-Petrobras dispara e ofusca dia amargo em Wall Street

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 8 de novembro (Reuters) - A descoberta de uma reserva de petróleo gigantesca na Bacia de Santos roubou a cena nesta quinta-feira, fazendo as ações da Petrobras (PETR4.SA) dispararem e sustentando o índice Ibovespa apesar de mais um dia amargo em Wall Street.

As ações preferenciais da estatal, principal componente do Ibovespa e uma das maiores empresas brasileiras em valor de mercado, tiveram alta de mais de 14 por cento. Foi a maior valorização diária desde janeiro de 1999.

“Cinco a 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural é mais ou menos metade da reserva da Petrobras”, disse Marcos Paulo Moreira, analista da corretora Fator, sobre a descoberta confirmada pelo governo nesta quinta-feira.

O anúncio veio dias após um episódio de desabastecimento de gás natural no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em entrevista coletiva, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, disse que “o país se torna exportador” com essa descoberta.

“Podemos ir para um patamar onde estão Arábia Saudita e Venezuela”, acrescentou a ministra.

O desempenho da Petrobras sustentou o Ibovespa, que terminou o dia com leve alta de 0,10 por cento, apesar do fraco desempenho de Nova York. Mas, das 63 ações que compõem o índice, apenas seis tiveram suas ações valorizadas.

“(A Petrobras) está distorcendo o índice. Se você excluir a Petrobras, a bolsa está trabalhando em baixa”, disse Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora, durante o pregão.

O motivo para a fraqueza do restante do mercado foi o desempenho ruim de Wall Street. Os principais índices caíram pelo segundo dia consecutivo, com baixa de quase 3 por cento da Nasdaq e de mais de 1 por cento do Dow Jones e do S&P 500.

As perdas foram acentuadas após o presidente da Cisco (CSCO.O), empresa líder no setor de tecnologia, dizer que a recente crise de crédito pode começar a ter desencorajado os gastos empresariais.

A fala do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, também contribuiu para a cautela dos investidores. Ele disse ao Congresso que a economia enfrenta riscos tanto em relação ao crescimento quanto à inflação.

O pessimismo externo contaminou os negócios no mercado de câmbio do Brasil, com alta de 0,23 por cento do dólar. Foi o segundo dia seguido em que a moeda norte-americana subiu mesmocom a entrada de recursos no país.

O mercado de juros futuros também repercutiu Wall Street, com alta de mais de 1 por cento nas projeções mais negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

Veja como encerraram os principais mercados nesta quinta-feira:

CÂMBIO BRBY

O dólar terminou a 1,745 real, em alta de 0,23 por cento. O volume do segmento interbancário foi de 2,403 bilhões de dólares.

BOLSA .BVSP

O Ibovespa encenrrou com leve valorização de 0,10 por cento, a 63.561 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 10,6 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS .BR20

O índice de principais ADRs brasileiros subiram 3,73 por cento, aos 37.610 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

A maioria dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) subiu na BM&F. O DI janeiro de 2009 fechou a 11,59 por cento, enquanto o DI janeiro de 2010 fechou a 11,93 por cento.

GLOBAL 40 BRAGLB40=RR

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, operava estável, a 133,4 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,6 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS 11EMJ

No final da tarde, o risco Brasil subia 7 pontos, a 198 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 218 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones .DJI fechou em queda 0,25 por cento, a 13.266 pontos. O Nasdaq .IXIC encerrou em forte baixa de 1,92 por cento, para 2.696 pontos. O índice S&P 500 .SPX exibiu leve desvalorização de 0,06 por cento, aos 1.474 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS US10YT=RR

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subiam e o rendimento caía para 4,3 por cento no final da tarde.

Reportagem adicional de Juliana Siqueira, Angela Bittencourt, Denise Luna e Rodrigo Viga Gaier

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