Grã-Bretanha apóia vaga do Conselho de Segurança para a África

terça-feira, 8 de julho de 2008 11:58 BRT
 

PRETÓRIA (Reuters) - A Grã-Bretanha manifestou na terça-feira apoio à presença permanente de um país africano no Conselho de Segurança da ONU, como parte dos esforços para reformar a entidade.

"Somos absolutamente claros quanto ao nosso compromisso com uma vaga permanente para um país africano no Conselho de Segurança da ONU, como parte de um programa de reformas amplo e abrangente", disse o chanceler David Miliband ao concluir uma reunião entre ministros britânicos e sul-africanos em Pretória.

Ele não citou qual país deveria ocupar tal vaga. Há mais de uma década a Assembléia Geral da ONU discute a ampliação do Conselho de Segurança, instância decisória que conta com cinco membros permanentes e dez temporários. Críticos dizem que a atual composição não reflete o cenário contemporâneo e está sendo manipulada pelas potências mundiais.

Os cinco atuais membros permanentes são EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China. Os dez membros temporários ocupam mandatos de dois anos, distribuídos por critérios regionais.

Desde a criação da ONU, em 1945, o Conselho de Segurança só foi ampliado uma vez, em 1965, quando o número de membros eleitos subiu de 6 para 10.

Entre os principais candidatos às novas vagas permanentes estão Alemanha, Brasil, Índia e Japão. Para a eventual vaga africana, os principais aspirantes são África do Sul, Nigéria e Egito.

A África do Sul, que atualmente ocupa uma vaga temporária, se considera como uma voz influente pelos interesses da África e também como uma espécie de mediador para os países mais ricos no mundo em desenvolvimento.

O governo sul-africano, no entanto, recebe críticas no Ocidente por dar seu voto na ONU a favor de propostas consideradas amigáveis para com regimes repressivos, como os de Zimbábue e Mianmar.

No ano passado, a África do Sul propôs acabar com as sanções contra o programa nuclear do Irã, o que levou alguns governos ocidentais a acusarem Pretória de colocar suas credenciais terceiro-mundistas acima das suas responsabilidades.