COLUNA-Economia forte depende de família de índices e "torcida"

segunda-feira, 8 de outubro de 2007 08:15 BRT
 

Por Angela Bittencourt

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira decola, mas a manutenção do arranque não é líquido e certo.

O crescimento sustentado no patamar de 5 por cento e embalado por disciplinada inflação depende de uma harmônica composição de variáveis. Algumas desempenham duplo papel e embrenham-se em melindrosos laços de parentesco.

Além de preços fundamentais da economia --juro e câmbio, por exemplo--, algumas das variáveis são alternativas de aplicação financeira e acabam subordinadas a torcidas cívicas ou interesseiras.

Investimentos na produção integram esse conjunto de variáveis que levam a economia adiante ou não. E a decisão de investir depende de confiança de quem compra, de quem vende e de quem produz, mas também do retorno prometido por uma parentada de indicadores.

É fato que a vigorosa expansão dos bens de capital acena com aumento da oferta num cenário de demanda aquecida. Mas o avanço de bens de capital depende, também, da evolução da taxa de câmbio, que vem incentivando importações de máquinas e atualização de equipamentos já existentes.

Repercussão semelhante vale para o comportamento do juro que, em queda, tende a incentivar a procura por crédito, maior interesse por ações das empresas e maior concessão de empréstimos aos consumidores. Em alta, o juro tende a impor uma trava nos negócios, mas que pode ser oportuna para evitar ajustes bruscos no futuro caso a baixa da inflação não esteja bem ancorada.

DATA MARCADA

Após dois anos de cortes consecutivos da taxa Selic, o mercado já comprou a idéia de que o Banco Central interromperá os cortes em data marcada: 17 de outubro.   Continuação...