8 de Julho de 2008 / às 21:47 / 9 anos atrás

Em Mariana, candidato a prefeito faz campanha atrás das grades

Por Marcelo Portela

BELO HORIZONTE (Reuters) - A cidade histórica de Mariana, na região central de Minas Gerais, tem um de seus candidatos a prefeito, Francisco de Assis Ferreira Carneiro, conhecido como Chico da Farmácia, do PMN, fazendo campanha atrás das grades.

Ele está preso, por determinação da Justiça, desde o dia 31 de maio, acusado de ser o mandante do assassinato do ex-prefeito da cidade, João Ramos Filho (PTB), de 78 anos.

Ramos, que esteve à frente da prefeitura de Mariana por três mandatos (de 1973 a 1977, de 1982 a 1986 e de 1992 a 1996), foi assassinado em uma emboscada na BR-262, quando voltava do posto de combustíveis que tinha na rodovia. Para a Polícia Civil, Chico da Farmácia foi o mandante do crime e, no fim de maio, o empresário foi preso por determinação judicial.

A Justiça já negou pedido de revogação da prisão preventiva e, na semana passada, prorrogou por mais 30 dias a prisão do candidato. Mas Chico da Farmácia continua alegando inocência, e por meio de seu advogado fez o pedido de registro da candidatura, e da cadeia orienta os correligionários encarregados de pedir votos no município.

João Ramos era novamente candidato à prefeitura, posto assumido por sua mulher, Terezinha Ramos (PTB). Com isso, é possível que o principal suspeito do assassinato concorra com a viúva da vítima.

A incomum disputa, porém, ainda depende da decisão da Justiça eleitoral. Segundo o promotor Edson Resende, coordenador do Centro de Apoio Eleitoral do Ministério Público Estadual, a legislação brasileira permite que qualquer pessoa que não tenha condenação transitada em julgado participe de eleições. "Mas há um entendimento recente de indeferimento de candidaturas com base na vida pregressa da pessoa", observou.

O promotor afirma que o caso ainda será analisado, mas o MP pode impugnar a candidatura de Chico da Farmácia. Nesse caso, caberá ao juiz eleitoral acatar ou não a impugnação.

"É inusitado, mas é possível que ele concorra e até seja eleito. Teria autorização para tomar posse e, se for condenado posteriormente, perde o cargo", afirma Resende.

PRECEDENTE

Não é a primeira vez que um candidato a prefeito é preso em Minas. Em 2004, o produtor rural Antério Mânica foi acusado de ser um dos mandantes dos assassinatos de quatro funcionários do Ministério do Trabalho, executados a tiros em janeiro daquele ano em uma estrada de terra em Unaí, no noroeste do Estado.

A Justiça Federal decretou a sua prisão, além de outros acusados de participação no crime, mas a medida não foi suficiente para abalar a popularidade do fazendeiro.

Em outubro daquele ano, mesmo preso, Antério Mânica (PSDB) foi eleito prefeito de Unaí com 72 por cento dos votos. Com isso, conseguiu foro privilegiado e o processo foi desmembrado do caso em relação aos demais acusados do crime. Atualmente, Antério ainda responde a processo no Tribunal Regional Federal da 1a Região.

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