Em Mariana, candidato a prefeito faz campanha atrás das grades

terça-feira, 8 de julho de 2008 18:46 BRT
 

Por Marcelo Portela

BELO HORIZONTE (Reuters) - A cidade histórica de Mariana, na região central de Minas Gerais, tem um de seus candidatos a prefeito, Francisco de Assis Ferreira Carneiro, conhecido como Chico da Farmácia, do PMN, fazendo campanha atrás das grades.

Ele está preso, por determinação da Justiça, desde o dia 31 de maio, acusado de ser o mandante do assassinato do ex-prefeito da cidade, João Ramos Filho (PTB), de 78 anos.

Ramos, que esteve à frente da prefeitura de Mariana por três mandatos (de 1973 a 1977, de 1982 a 1986 e de 1992 a 1996), foi assassinado em uma emboscada na BR-262, quando voltava do posto de combustíveis que tinha na rodovia. Para a Polícia Civil, Chico da Farmácia foi o mandante do crime e, no fim de maio, o empresário foi preso por determinação judicial.

A Justiça já negou pedido de revogação da prisão preventiva e, na semana passada, prorrogou por mais 30 dias a prisão do candidato. Mas Chico da Farmácia continua alegando inocência, e por meio de seu advogado fez o pedido de registro da candidatura, e da cadeia orienta os correligionários encarregados de pedir votos no município.

João Ramos era novamente candidato à prefeitura, posto assumido por sua mulher, Terezinha Ramos (PTB). Com isso, é possível que o principal suspeito do assassinato concorra com a viúva da vítima.

A incomum disputa, porém, ainda depende da decisão da Justiça eleitoral. Segundo o promotor Edson Resende, coordenador do Centro de Apoio Eleitoral do Ministério Público Estadual, a legislação brasileira permite que qualquer pessoa que não tenha condenação transitada em julgado participe de eleições. "Mas há um entendimento recente de indeferimento de candidaturas com base na vida pregressa da pessoa", observou.

O promotor afirma que o caso ainda será analisado, mas o MP pode impugnar a candidatura de Chico da Farmácia. Nesse caso, caberá ao juiz eleitoral acatar ou não a impugnação.

"É inusitado, mas é possível que ele concorra e até seja eleito. Teria autorização para tomar posse e, se for condenado posteriormente, perde o cargo", afirma Resende.   Continuação...