July 8, 2008 / 6:41 PM / 9 years ago

Debate sobre indexação ressurge no país, mas sem pânico

5 Min, DE LEITURA

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Pesadelo dos brasileiros, a indexação voltou à pauta de discussões no Brasil diante da aceleração recente da inflação. O tema não deve ser ignorado, admitem analistas, mas pode estar sendo exagerado, já que a economia é hoje bastante diferente de décadas atrás e o Banco Central já trabalha para amenizar a situação.

O alerta da indexação --mecanismo pelo qual os preços sobem pela inflação passada, gerando mais inflação à frente-- foi soado neste ano após os primeiros sinais de que o avanço dos alimentos se traduziu em outros aumentos, como de aluguéis e salários que são reajustados por índices de inflação.

Além desses dois itens, atualmente mensalidades escolares, convênios médicos, pedágio, energia e telefonia são alguns dos preços reajustados por indicadores como os Índices Gerais de Preços (IGPs), dos 12 meses anteriores.

"Essa preocupação da volta da indexação está precipitada... Hoje você pode negociar preços, não é como antes, quando tinha contratos que diziam que haveria impreterivelmente um reajuste com o índice de inflação", ponderou Salomão Quadros, responsável pelos IGPs da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"Vale a pena o sinal de que isso é risco. É algo que precisa de cuidado, porque a inflação pode encontrar seus próprios mecanismos de reprodução, mas nada no sentido de autorizar alguma espécie de pânico."

Segundo Quadros, os salários são um desses meios de repasse, já que as empresas podem querer elevar preços para compensar o custo maior dos empregados. Esse tipo de canal é mais perigoso quando a economia está aquecida, como agora.

A diferença com a época de economia indexada --no pré-Real-- é que atualmente há uma flexibilidade maior dos índices usados nos contratos. Os tradicionais IGPs são formados 60 por cento pelo atacado, o que nem sempre reflete a realidade dos preços que eles irão reajustar.

Outros dados de inflação, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), devem ter metade da alta dos IGPs neste ano.

"A economia já foi mais indexada e isso foi diminuindo. Hoje, por exemplo, existe o fator X (uma espécie de índice adicional) nos reajustes de energia e muitos aluguéis são reajustados pelo IPCA", afirmou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

POLÍTICA MONETÁRIA

Em 2002, lembram os analistas, os IGPs subiram mais de 25 por cento, o que não impediu que a inflação pelo IPCA declinasse nos anos seguintes. Para este ano, a previsão de alta dos IGPs está em 11 por cento.

"Está muito em pauta a questão da inflação hoje e há um certo exagero. Estamos sofrendo um ajuste de preços relativos e é lógico que, em um primeiro momento, as pessoas sentem mais, mas estamos longe de ter um descontrole", avaliou Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimento.

Para Quadros, da FGV, a ação do governo contra a inflação pode ser suficiente para impedir uma inércia inflacionária prolongada. "Com uma subida progressiva de juros, como estamos vendo, há uma possibilidade de a inflação já cair a partir de 2009."

Quadros acrescentou que as medidas tomadas pelos governos mundiais neste ano determinarão os patamares de inflação nos anos seguintes.

"Fica-se falando que a inflação é apenas internacional, que vem das commodities, de fora, mas daqui dois ou três anos vamos ver como ficará a inflação de cada país e veremos como cada BC agiu (corretamente ou não)."

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