Debate sobre indexação ressurge no país, mas sem pânico

terça-feira, 8 de julho de 2008 18:39 BRT
 

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Pesadelo dos brasileiros, a indexação voltou à pauta de discussões no Brasil diante da aceleração recente da inflação. O tema não deve ser ignorado, admitem analistas, mas pode estar sendo exagerado, já que a economia é hoje bastante diferente de décadas atrás e o Banco Central já trabalha para amenizar a situação.

O alerta da indexação --mecanismo pelo qual os preços sobem pela inflação passada, gerando mais inflação à frente-- foi soado neste ano após os primeiros sinais de que o avanço dos alimentos se traduziu em outros aumentos, como de aluguéis e salários que são reajustados por índices de inflação.

Além desses dois itens, atualmente mensalidades escolares, convênios médicos, pedágio, energia e telefonia são alguns dos preços reajustados por indicadores como os Índices Gerais de Preços (IGPs), dos 12 meses anteriores.

"Essa preocupação da volta da indexação está precipitada... Hoje você pode negociar preços, não é como antes, quando tinha contratos que diziam que haveria impreterivelmente um reajuste com o índice de inflação", ponderou Salomão Quadros, responsável pelos IGPs da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"Vale a pena o sinal de que isso é risco. É algo que precisa de cuidado, porque a inflação pode encontrar seus próprios mecanismos de reprodução, mas nada no sentido de autorizar alguma espécie de pânico."

Segundo Quadros, os salários são um desses meios de repasse, já que as empresas podem querer elevar preços para compensar o custo maior dos empregados. Esse tipo de canal é mais perigoso quando a economia está aquecida, como agora.

A diferença com a época de economia indexada --no pré-Real-- é que atualmente há uma flexibilidade maior dos índices usados nos contratos. Os tradicionais IGPs são formados 60 por cento pelo atacado, o que nem sempre reflete a realidade dos preços que eles irão reajustar.

Outros dados de inflação, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), devem ter metade da alta dos IGPs neste ano.   Continuação...