8 de Julho de 2008 / às 17:56 / 9 anos atrás

Usiminas acelera expansão com nova usina de US$5,7 bi

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - Fabricar um carro sem deixar o outro parar. Este é o plano da Usiminas em seu aguardado projeto de aceleração de crescimento que consumirá 14,1 bilhões dólares em investimentos até 2012 e que inclui a construção de uma usina de placas, a terceira unidade de produção de aço da companhia no país.

A nova usina, que substitui o plano anterior da Usiminas de ampliar em 3,2 milhões de toneladas anuais a capacidade de produção de sua tradicional unidade de Ipatinga, em Minas Gerais, terá capacidade total de 5 milhões de toneladas por ano até 2012 e exigirá investimento de 5,7 bilhões de dólares.

Os demais recursos previstos no plano estão sendo aplicados pela siderúrgica no aumento de capacidade de produção de laminados à quente, chapas grossas e galvanizados, além de gastos em mineração e logística.

O anúncio da Usiminas foi feito em um momento em que a companhia está sendo obrigada a comprar placas de terceiros para atender à crescente demanda do mercado brasileiro em áreas como indústria automotiva e construção naval.

A unidade será construída na cidade mineira de Santana do Paraíso, a uma distância de apenas 7 quilômetros das instalações da Usiminas em Ipatinga.

"Estamos falando de um programa de investimento de 14 bilhões de dólares sem perder produção. Isso é um desafio, é como construir um novo veículo sem deixar parar o que já está andando", afirmou a jornalistas o recém-empossado presidente da Usiminas, Marco Antonio Castello Branco. "Queremos ter capacidade adicional o mais cedo possível."

A nova usina aumentará a capacidade da maior produtora de aços planos da América Latina em 52 por cento, para 14,5 milhões de toneladas. A unidade será instalada em um terreno ocupado atualmente por um aeroporto da Usiminas, aproveitando infra-estrutura logística local. As obras começam no primeiro semestre de 2009 e o início da operação está marcado para os primeiros seis meses de 2011, quando a unidade deve produzir inicialmente 2,5 milhões de toneladas de aço.

Segundo Castello Branco, a usina de Santana do Paraíso terá 40 por cento de sua produção destinada às unidades de Ipatinga e de Cubatão, em São Paulo, com o restante sendo exportado e também usado em estratégia de internacionalização da Usiminas que foca em aços nobres no exterior. O minério a ser usado virá das minas da Vale na cidade mineira de Itabira e também da própria J.Mendes, mineradora comprada em fevereiro pela siderúrgica.

O projeto da usina envolve também a construção de uma termelétrica de 250 megawatts e que terá investimentos de quase 400 milhões de dólares. A central elétrica dará autonomia energética tanto para a unidade de Santana do Paraíso quanto para a de Ipatinga, disse Castello Branco.

Além disso, um novo aeroporto será construído pela Usiminas, em local ainda a ser escolhido, com pista de 2,6 quilômetros para cargas e terminal com capacidade para 360 mil passageiros por ano.

Apesar do mercado vir cobrando há algum tempo um aumento da capacidade produtiva da Usiminas, as ações da companhia registravam o pior desempenho do Ibovespa, recuando 4 por cento às 13h34. No mesmo horário, o índice da bolsa paulista caía 0,8 por cento.

FINANCIAMENTO GARANTIDO

Metade dos 14,1 bilhões de dólares a serem investidos pela Usiminas até 2012 virá de recursos próprios da empresa e o restante será financiado, explicou o diretor financeiro da empresa, Paulo Penido.

Dos cerca de 7 bilhões a serem financiados, um terço será provido pelo mercado de dívida, um terço via bancos de fomento e o restante por bancos oficiais.

A empresa já vinha captando recursos desde o início do ano, com lançamento de euro bonds de 400 milhões de dólares, debêntures de 500 milhões de reais e cerca de 600 milhões de dólares financiados por um grupo de 23 bancos, disse Penido.

"Estamos negociando ainda 550 milhões de dólares com JBIC (bando de fomento japonês) e 400 milhões de dólares junto ao Bid (banco Interamericano de Desenvolvimento)", acrescentou o executivo. "Com isso, podemos manter grau de investimento sem nenhum problema", disse.

Edição de Renato Andrade

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