Semana abre com dados bons de inflação sem mudar Copom

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 09:55 BRT
 

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - O IGP-DI teve em agosto a primeira deflação em dois anos e meio e a previsão do mercado para a inflação "oficial" deste ano caiu pela sexta vez. Os dados divulgados nesta segunda-feira, no entanto, não devem levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a desacelerar o ritmo do aperto monetário na reunião desta semana.

Isso porque é possível que a deflação não se prolongue, conforme sugeriu o IPC-S divulgado também nesta manhã, e porque a estimativa para a inflação de 2009 segue acima do centro da meta.

Segundo a pesquisa Focus do Banco Central,, a estimativa do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano caiu a 6,27 por cento, ante 6,32 por cento na semana anterior. Para 2009, a estimativa permaneceu em 5,0 por cento pela oitava semana.

"A despeito da melhora observada no quadro inflacionário... julgamos que o Copom manterá o passo mais forte e elevará a taxa Selic para 13,75 por cento", avaliou em relatório Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento.

"Afinal, a variação esperada para o IPCA no próximo ano... ainda se encontra acima (do centro) da meta, não obstante as declarações da autoridade monetária de que fará o necessário para que a inflação de 2009 convirja para o patamar. Ou seja, ainda há desconfiança por parte dos agentes de que o BC não cumprirá a meta de inflação."

O Focus também mostrou que o mercado continua apostando que a alta da Selic nesta semana será de 0,75 ponto percentual, para 13,75 por cento ao ano. Uma pesquisa da Reuters feita na semana passada apontou o mesmo: todos os 23 analistas ouvidos esperam esse ritmo de aperto monetário.

Para as demais reuniões deste ano (outubro e dezembro), a perspectiva é de aumento de 0,50 ponto cada, segundo a sondagem da Reuters.

No ano que vem o mercado prevê queda. Segundo o Focus, as instituições reduziram o prognóstico para a Selic em 2009 de 14,0 para 13,75 por cento, após cinco semanas de estabilidade.   Continuação...