Renan pode enfrentar quinta representação por quebra de decoro

segunda-feira, 8 de outubro de 2007 19:09 BRT
 

BRASÍLIA, 8 de outubro (Reuters) - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode enfrentar nova representação no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar, desta vez devido à denúncia de tentativa de espionar senadores adversários. Se aceita, se reverterá no quinto processo por perda do mandato contra o senador alagoano.

O líder do partido Democratas, Agripino Maia (RN), disse que cabe a Renan dar explicações convincentes sobre a denúncia de que estaria montando esquema para espionar os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).

"Vamos avaliar. Se as explicações que aguardamos do senador Renan não forem convincentes, o caminho será uma representação ao Conselho de Ética", disse Agripino a jornalistas nesta segunda-feira.

A acusação contra Renan foi divulgada no final de semana pela imprensa. Segundo as publicações, Renan teria usado um assessor do Senado, o ex-senador Francisco Escórcio, e advogados para espionar atividades de Demóstenes e de Perillo.

Escórcio teria planejado a instalação de câmeras de vídeo em um hangar de táxi aéreo em Goiânia para filmar os senadores em alguma atividade ilegal. O plano só não teria progredido porque o dono do hangar, o ex-deputado Pedro Abrão, se negou a participar do esquema.

"O Senado está vivendo o pior ambiente de sua história, um presidente da Casa que teria usado funcionários dele para espionar colegas é coisa impensável", lamentou Agripino.

Renan Calheiros negou a acusação em nota enviada à imprensa. Ao contrário do que vem fazendo diariamente, o senador faltou ao Senado nesta segunda-feira, onde a nota foi lida no plenário. Ele afirma que a denúncia não combina com seu caráter.

"Repudio, mais uma vez --com a veemência e indignação que a situação exige-- as falsas acusações de que estaria usando servidores do Senado Federal para práticas inescrupulosas, imorais e ilegais. Isso não faz parte do meu caráter", disse no texto.

O senador afirmou que a acusação é uma nova trama. "Eu sim tive a vida devassada e não recorreria a indignidades como as que me foram falsamente atribuídas. É preciso ter responsabilidade e cobrar das fontes das maledicências as provas das acusações."   Continuação...