Senado cria CPI dos cartões; governo quer presidente e relator

terça-feira, 8 de abril de 2008 18:45 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Senado criou nesta terça-feira uma CPI exclusiva para investigar gastos com os cartões corporativos do governo, que a base aliada pretende controlar ou até derrubar na Justiça.

Antes mesmo da leitura do requerimento da CPI pelo senador Efraim Moraes (DEM-PB), primeiro-secretário do Senado, o líder do PMDB na Casa, Valdir Raupp (RO), afirmou que a base pretende exercer sua maioria.

"Houve uma quebra do acordo por parte da oposição (que lhe garantia a presidência da CPI mista). O PMDB é o maior partido dessa Casa e o governo tem maioria. Nos sentimos à vontade, portanto, para garantir presidência e relatoria dos trabalhos", disse Raupp. Por ser a maior bancada, o PMDB tem a prerrogativa de ocupar os dois cargos.

O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), reagiu e garantiu que a oposição ocupará um dos cargos.

"Se houver qualquer tentativa de esmagamento, que se preparem para uma resistência espartana. Não somos 'sparring' de ninguém. O segundo maior partido da Casa é o DEM e vamos em busca do nosso direito."

Ideli Salvatti (SC), líder do PT, apresentou uma questão de ordem contra a instalação da CPI no Senado pela existência da CPI mista.

"Há jurisprudência para que esta CPI não seja instalada, porque existe uma investigação em curso tratando exatamente da mesma coisa", argumentou.

O líder do DEM, Agripino Maia (RN), rebateu, alegando que a outra CPI é mista e essa é exclusiva do Senado. Garibaldi citou a CPI da crise aérea que ocupou as duas Casas. Ideli não se deu por satisfeita e ameaçou recorrer à Justiça.

Mesmo que consiga a presidência ou a relatoria, a oposição vai ser minoria na CPI. Dos 11 senadores, oito devem ser do governo (três do bloco governista, três do PMDB, um do PDT e um do PTB).

A estratégia já anunciada pela oposição será a de levar para o plenário, em votação nominal, todos os requerimentos que vierem a ser derrubados na CPI, o que inviabilizaria o ano legislativo.

A instalação da CPI no Senado depende agora da indicação dos integrantes pelos líderes dos partidos. A oposição disse que espera no máximo uma semana.