Alimentos ajudam e IPCA desacelera a 0,53% em julho

sexta-feira, 8 de agosto de 2008 11:50 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A forte desaceleração dos preços dos alimentos garantiu uma alta mais moderada do principal indicador de inflação ao consumidor do país em julho. O dado, divulgado nesta sexta-feira, indica um cenário mais benigno para os preços no segundo semestre.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a política de metas de inflação do governo, teve alta de 0,53 por cento em julho, abaixo do avanço de 0,74 por cento de junho e em linha com as estimativas de analistas --que esperavam variação de 0,55 por cento, conforme pesquisa da Reuters.

A desaceleração do IPCA reflete, em boa medida, o comportamento dos preços dos alimentos, que subiram 1,05 por cento no mês passado, metade da taxa de junho.

"Há indícios de que a desaceleração é decorrente de medidas que foram tomadas, como a retirada do imposto do trigo... o anúncio de uma safra agrícola muito grande também influi e o próprio plano agrícola que foi desenvolvido pode ter algum efeito", explicou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os preços da farinha de trigo registraram queda de 1,75 por cento em julho e o pão francês caiu 0,11 por cento.

Apesar da desaceleração em julho, o IPCA ainda acumula alta de 4,19 por cento no ano. No mesmo período de 2007, o indicador acumulava avanço de 2,32 por cento.

Nos últimos 12 meses, o IPCA subiu 6,37 por cento, muito próximo do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. A meta central é de 4,5 por cento, com margem de variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou em abril um ciclo de aperto monetário para tentar colocar a inflação de volta na trajetória das metas já em 2009. A Selic subiu de abril a julho 1,75 ponto percentual, para 13,0 por cento ao ano.   Continuação...