Referendos regionais na Bolívia acontecerão mesmo com diálogo

terça-feira, 8 de abril de 2008 16:32 BRT
 

Por Carlos Alberto Quiroga

LA PAZ (Reuters) - Os governadores de oposição de quatro departamentos da Bolívia disseram que seguirão adiante com seus planos de autonomia antes da mudança na constituição, apesar de uma aproximação com o governo facilitada pela Igreja, informaram nesta terça-feira meios de comunicação locais.

Os governadores liderados por Rubén Costas, de Santa Cruz, anunciaram suas posições depois de se reunirem na noite de segunda-feira com a cúpula católica, que já havia conversado com o presidente Evo Morales a procura de encerrar um grande enfrentamento político, reportaram os meios locais.

O primeiro referendo, sobre um estatuto autônomo está previsto para o dia 4 de maio em Santa Cruz, bastião da direita e capital econômica da Bolívia, e seria seguido por consultas similares no rico departamento gasífero de Tarija e nos amazônicos Beni e Pando.

Nos outros cinco departamentos bolivianos, pareciam predominar opiniões favoráveis a aprovar primeiro a nova carta magna "plurinacional", com a qual Morales quer "refundar" a Bolívia, a frente dos estatutos de autonomias regionais que viraram a bandeira da oposição.

"Não há forma de frear o referendo pelo estatuto de autonomia de Santa Cruz e esta mesma atividade concluirá com seu processo em Beni, Pando e Tarija", disse Costas, segundo o diário La Prensa.

Seu colega de Pando, Leopoldo Fernandez, disse ao La Razón, que um diálogo direto entre prefeitos de oposição e o governo "tem que ser depois do referendo de 4 de maio, não faz sentido parar o referendo pois ele não causa dano a nada".

No mês passado, com o agravemento da disputa pela mudança constitucional e pelos estatutos de autonomia, Morales aceitou suspender os referendos para colocar em vigência uma polêmica nova carta magna, convocado para o mesmo 4 de maio.

Entretanto, os governadores se negaram até agora a deixar sem efeito os referendos regionais, apesar de as consultas terem sido desautorizadas por serem consideradas ilegais pelo Governo, Congresso e Tribunal Eleitoral.

Em uma aparente tentativa para baixar a tensão, Morales descartou nesta segunda-feira decretar um estado de sítio para impedir o referendo de Santa Cruz, se converteu no maior desafio de sua gestão de pouco mais de dois anos.