Agripino diz que Dilma se fez de vítima em depoimento

quinta-feira, 8 de maio de 2008 16:46 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), disse nesta quinta-feira que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) agiu de forma esperta e soube se transformar em vítima após a provocação do senador no depoimento ao Senado.

"A ministra espertamente pegou um elemento da minha fala e 'emocionalizou' sua resposta, fugindo ao objetivo da minha pergunta", disse Agripino a jornalistas. Ele também ocupou a tribuna do Senado para tentar se explicar.

"Ela, com a esperteza política e com o uso da emoção, conseguiu se vitimizar, usando um argumento que não era o argumento da minha pergunta", completou.

O senador disse que apenas queria obter um esclarecimento sobre o suposto dossiê que teria sido produzido pela Casa Civil com dados sigilosos dos gastos com cartões corporativos do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Para Agripino, o dossiê se presta a "encostar num canto da parede pessoas como o ex-presidente Fernando Henrique e sua esposa".

Criticado até por seus pares, como o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que disse que ele se excedeu, Agripino afirmou no início do depoimento de Dilma na Comissão de Infra-Estrutura do Senado que a ministra admitiu ter mentido ao ser torturada durante interrogatórios na ditadura militar (1964-1985). Ele ainda tentou comparar o período de exceção com um suposto Estado policialesco atual.

Dilma reagiu de forma emocionada e disse ter orgulho de ter mentido para a ditadura, uma vez que o que estava em questão era sua vida e a de seus companheiros. Dirigindo-se a Agripino, ela disse que a comparação entre a ditadura e a democracia brasileira "só pode partir de que não dá importância à democracia". Dilma ficou três anos presa.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota com crítica a Agripino. "Na ditadura, a mentira era um direito de resistência inerente a todo cidadão, que não pode ser obrigado a se auto acusar, ainda mais quando ameaçado de tortura ou de morte", disse Cezar Britto, presidente da OAB. (Texto de Carmen Munari)