Lula quer tornar Pesca ministério para produzir mais alimentos

terça-feira, 8 de julho de 2008 09:46 BRT
 

Por Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - Com o propósito de aumentar a oferta de alimentos no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende transformar a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca em ministério até o fim do ano.

A medida é elogiada pelos empresários da área, mas vista com ressalvas por parlamentares e especialistas em gestão pública por aumentar o tamanho da máquina estatal. Além disso, como a nova pasta, em princípio, ficaria com o PT, com centenas de cargos, a iniciativa pode gerar atritos entre os partidos governistas.

O anúncio será feito quando o presidente lançar o plano estratégico do setor, que descreverá o caminho que o país deve percorrer para atingir a meta de aumentar em 70 por cento a produção nacional de pescados até 2011. Atualmente, o país extrai do meio ambiente e de criações 1,05 milhão de toneladas por ano. Ainda não há data oficial para o anúncio do plano.

O empresariado comemorou a notícia. "Um ministério é fundamental. A secretaria não dá conta. Não tem força e poder. O grande problema do nosso setor é a divisão de competências", disse o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar de Paiva Rocha.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Organismos Aquáticos (Abracoa), Wagner Chakib Camis, também apóia o governo. "Será bom, pois o ministério terá mais representatividade, verba e autonomia. Hoje, a secretaria é vista em segundo plano."

No Congresso, a repercussão foi negativa. "Não é preciso criar um ministério. Isso aumentará os gastos do governo, é algo secundário. A secretaria já dá boas condições para o setor", criticou o deputado Luciano Castro (RR), líder do PR na Câmara, partido que integra a base governista.

Líder do Democratas no Senado, José Agripino (RN) destaca a importância econômica e social da atividade. Exige, entretanto, que o governo justifique a decisão.

"Afora os gastos com cartão de crédito corporativo, a secretaria não disse ainda a que veio. Com o modelo atual, é gastança de má qualidade", declarou o senador, lembrando as denúncias de gastos do chefe da secretaria, Altemir Gregolin. O secretário especial alegou à época que as despesas foram feitas em eventos de trabalho.   Continuação...