Petrobras garante que crise da Bolívia não ameaça gás no Brasil

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 16:48 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras não está preocupada com um eventual agravamento da crise boliviana e uma consequente restrição no envio de gás natural para o Brasil. Segundo a diretora de Gás e Energia da estatal, não existem sinais de que haverá problemas de fornecimento.

"Não conheço supridor mais confiável do que o boliviano... a Petrobras acredita no bom senso da Bolívia, é uma questão de política interna", afirmou Maria das Graças Foster a jornalistas nesta segunda-feira, referindo-se aos problemas enfrentados por Evo Morales nas últimas semanas.

Segundo afirmou o presidente boliviano na sexta-feira passada, a oposição de direita do país estaria organizando um "golpe de Estado civil". A Bolívia envia 31,74 milhões de metros cúbicos diários ao Brasil e, segundo Maria das Graças, "o Brasil não pode abrir mão de nem um milhão" dessa carga.

A executiva explicou que o Brasil está produzindo internamente 61 milhões de metros cúbicos e, com o volume vindo da Bolívia, o mercado brasileiro está plenamente abastecido.

Ela descartou a utilização de Gás Natural Liquefeito (GNL) para abastecer o mercado numa eventual falta de gás natural boliviano. Explicou que em caso de crise, seria acionado o plano de contingência da estatal, "que está pronto desde 2004", destacou sem dar detalhes.

"Se acontecer (o desabastecimento) não seria o GNL que poderia resolver", disse a diretora, lembrando que o único terminal de GNL da empresa, inaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto, no Ceará, ainda está em período de teste.

"Estamos nos últimos acabamentos do terminal, só vamos trazer o navio (com carga de GNL) quando houver demanda econômica... esse é nosso primeiro ano e vamos testar", esclareceu.

A partir do ano que vem, uma eventual suspensão do fornecimento da Bolívia poderá ser amenizada com a entrada em operação dos terminais do Ceará, no porto de Pecém, e outro na baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, totalizando uma oferta de 27 milhões de metros cúbicos de GNL.   Continuação...