Recessão nos EUA será mais longa que previsto, diz universidade

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 15:56 BRST
 

NOVA YORK (Reuters) - A economia dos Estados Unidos entrou em uma recessão mais dolorosa e prolongada do que o previsto, disse nesta sexta-feira o diretor da pesquisa de confiança do consumidor Reuters/Universidade de Michigan.

As pressões inflacionárias vão continuar apesar do recuo no consumo, complicando a tarefa dos responsáveis pela política monetária, afirmou em relatório Richard Curtin, citando dados do Conference Board.

"Não é uma recessão comum", disse. "Os efeitos posteriores vão durar muito mais do que em uma recessão típica."

Ele disse que o índice de expectativas do Conference Board faz boas previsões sobre contrações econômicas, e ele está atualmente vermelho.

Com os norte-americanos sendo afetados por tudo, desde a crise imobiliária até o endividamento excessivo, as coisas ainda devem piorar.

"Os consumidores precisam tomar medidas mais drásticas para estabilizar suas finanças em meio à alta do combustível e dos alimentos, à estagnação da renda e à dívida recorde."

O relatório acrescentou que o aumento da desigualdade de renda vai levar a um sofrimento desproporcional para as classes baixa e média dos Estados Unidos.

"O crescimento da desigualdade isolou os grupos de mais alta renda como nunca antes", afirmou o relatório. Mesmo assim, os ricos não vão sair ilesos com a recente queda das ações.

Paradoxalmente, a piora das condições econômicas vai induzir as famílias a poupar dinheiro, reforçando a situação ruim em uma economia que se tornou muito dependente dos gastos dos consumidores.

"O impacto negativo vai crescer na medida em que os preços das moradias vão continuar a cair no próximo ano."

(Reportagem de Pedro Nicolaci da Costa)