Bolívia garante gás para Brasil e Argentina apesar de conflito

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 18:06 BRT
 

LA PAZ (Reuters) - O governo da Bolívia afirmou na segunda-feira que garante as exportações de gás para o Brasil e a Argentina, apesar de um conflito político que resultou em bloqueios de estradas e ameaças de tomar jazidas na principal região petrolífera do país.

Autoridades e representantes da sociedade civil, que lideram uma onda de protestos para frear reformas socialistas propostas pelo presidente Evo Morales, advertiram sobre um eventual corte no bombeamento de gás, principal fonte de divisas da Bolívia.

"O governo evitará uma interrupção das exportações de gás, que seria algo gravíssimo não só para o país em geral mas para as mesmas regiões onde se realizam os bloqueios", disse em entrevista à imprensa o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas.

Os protestos, que entraram na segunda-feira em sua terceira semana e sem expectativas de solução, acontecem especialmente na região sudeste de Chaco, onde estão mais de 90 por cento das enormes reservas de gás do país que geram exportações de mais de 2 bilhões de dólares anuais.

Villegas assegurou que "desde o momento em que se declararam paralisações e bloqueios, o governo tomou a decisão de militarizar, de assegurar e de resguardar todo o sistema de transporte (de gás), tanto para garantir o abastecimento do mercado interno como do mercado externo".

Ele advertiu, entretanto, que o fornecimento nos distritos onde acontecem os bloqueios pode sofrer "um colapso em um prazo de uma semana", porque parte do transporte interno se realiza em caminhões-tanque e não por dutos.

A Bolívia exporta atualmente ao menos 32 milhões de metros cúbicos diários de gás natural para Brasil e Argentina --31 milhões de metros cúbicos para o Brasil--, um negócio nacionalizado por Morales em 2006 e cujos lucros se converteram em um dos fatores de disputa entre Morales e seus opositores conservadores regionais.

(Por Carlos Alberto Quiroga)