8 de Maio de 2008 / às 19:23 / 9 anos atrás

Dólar fecha em alta pelo 4o dia em sessão volátil

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar teve o quarto dia seguido de alta nesta quinta-feira, se aproximando do patamar de 1,70 real em uma sessão marcada pela cautela sobre as perspectivas de curto prazo para a moeda norte-americana.

A divisa avançou 0,24 por cento, para 1,694 real.

Apesar da valorização do dólar, o dia não teve uma tendência clara. Com os agentes aguardando uma definição sobre o fundo soberano do país e sobre a força do fluxo cambial com o grau de investimento, a taxa de câmbio oscilou com operações pontuais e com o comportamento do mercado global.

Essa cautela dos investidores em relação à tendência de curto prazo do dólar se reflete no posicionamento dos agentes no mercado de derivativos.

De acordo com a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), as posições compradas dos estrangeiros em dólar saltou de 1,57 bilhão para 4,17 bilhões de dólares entre terça e quarta-feira --considerando os mercados de dólar futuro e de cupom cambial.

O movimento acompanhou a escalada da moeda ao longo da semana --a alta acumulada desde sexta-feira, quando o dólar fechou no menor nível em nove anos, é de 2,67 por cento.

“Não há como descartar a possibilidade do preço da moeda americana vir a recuar até 1,60 real. Porém para tanto é necessário que ocorram mudanças de atitudes dos investidores estrangeiros, que parecem um pouco céticos neste momento”, analisou Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.

A prudência não se limita à incerteza quanto à atuação do governo. O aumento das importações e o déficit nas transações correntes colocaram muitos agentes em dúvida sobre os limites para a valorização do real.

Os próprios bancos não têm interesse, segundo Nehme, em uma desvalorização mais forte do dólar. As instituições financeiras carregavam no final de abril mais de 12 bilhões de dólares em posições compradas no mercado à vista.

Mas o juro relativamente alto e o recente grau de investimento ainda são fatores de atração. Segundo Paulo Fujisaki, analista de mercado da corretora Socopa, isso deve reforçar o fluxo positivo nas operações financeiras.

“As captações (das empresas) vão comecar a tomar força outra vez. O próprio governo já fez captação lá fora”, disse, em referência à reabertura do bônus global com vencimento em 2017 realizada pelo Tesouro Nacional na quarta-feira.

Nesta manhã, o grupo siderúrgico Gerdau anunciou a reabertura de bônus internacional de 10 anos no valor de até 500 milhões de dólares.

Apesar desses exemplos, Fujisaki ponderou que as captações não vão ocorrer “de uma hora para outra”.

O Banco Central antecipou nesta quinta-feira o rotineiro leilão de compra de dólares no mercado à vista. A operação, que começou às 11h02, teve taxa de corte a 1,6902, com uma proposta divulgada aceita, segundo um operador.

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