January 9, 2008 / 1:10 PM / 10 years ago

PT pressiona e Marta não tem pressa para decidir candidatura

6 Min, DE LEITURA

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - A eleição é em outubro, mas a pressão está em alta no PT para que a ministra do Turismo, Marta Suplicy, tome uma decisão pela candidatura à prefeitura de São Paulo. E o presidente Lula tende a passar ao largo desta questão.

Para o partido, ela é único nome com chances de vitória e não há neste momento outro petista que consiga chegar lá. Ainda assim, a ex-prefeita (2001-2004) não tem pressa em sua decisão e diz que se sente confortável no ministério, que assumiu em março do ano passado.

"A ministra está mais ministra do que nunca", disse um assessor próximo na pasta. Marta disse esta semana que não vai decidir seu futuro político "no afogadilho" até porque ela não considera apenas a disputa pela prefeitura. Tem como foco também a eleição de 2010, quando pode concorrer ao governo paulista.

"Quando ela assumiu o ministério, o horizonte era 2010", confirma o assessor.

Por isso, a ministra levará em consideração não apenas a opinião dos "martistas" (deputados e prefeitos), mas também algumas hipóteses políticas.

Marta deve pesar a possibilidade de perder a prefeitura e seus reflexos nas pretensões ao governo paulista. Se outro petista competir e vencer na capital, será um concorrente ao governo estadual. E, ainda, se a oposição vencer na capital, a ministra terá como obstáculo um prefeito não alinhado.

Neste quadro, Marta não deve esperar a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fonte do Planalto considera que a propalada autorização de Lula para que ela dispute a prefeitura é apenas um pretexto para que ela não tome uma decisão agora. Ao mesmo tempo, é corrente a opinião de que ela é mais importante em São Paulo do que em Brasília.

Petistas ouvidos pela Reuters também consideram remota a participação de Lula no caso. Exemplificam com a situação vivida por Jaques Wagner, que buscou o aval de Lula para deixar o ministério das Relações Institucionais rumo à disputa pelo governo baiano em 2006. Wagner saiu vencedor, teve o apoio de Lula durante a campanha, mas não na decisão de deixar a pasta.

As mais recentes pesquisas de opinião são favoráveis a uma decisão solo de Marta. Ela liderou pesquisa Ibope realizada em dezembro com 27 por cento das intenções de voto, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) ficou em segundo com 24 por cento e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) teve 12 por cento.

Na sondagem do Datafolha realizada em novembro, Alckmin, que era líder isolado, passou a dividir as preferências com Marta em um empate técnico em que a petista teve 25 por cento e Alckmin, 26 por cento. Kassab aparecia com 13 por cento.

Em Busca Do Pmdb

"Essa indefinição dela não é tática, ela não está escondendo jogo, é dificuldade real. Ela tem uma bala na agulha, não pode desperdiçar", disse o deputado estadual Simão Pedro, líder do PT na Assembléia Legislativa, referindo-se à possibilidade de a ex-prefeita perder a eleição levando este ônus para 2010.

Simão Pedro, de corrente diferente da de Marta no PT, considera o final de fevereiro o prazo ideal para Marta se decidir. Ela, no entanto, afirma que só deixaria o ministério em 5 de junho, quatro meses antes do pleito municipal, de acordo com a lei complementar 64 de 1990.

"Marta ainda não se decidiu. Ela não tem pressa, quem tem pressa é o partido. Claro que será ruim se ela não for a candidata do PT", disse o deputado federal Jilmar Tatto (SP), ex-secretário dela e um de seus principais apoiadores.

Contando com decisão favorável, Tatto já pensa em aliança com o PMDB como principal aliado, ocupando inclusive a vice-prefeitura.

"Nós erramos no passado, devíamos ter dialogado com o PMDB", afirma Tatto, indicando arrependimento pelo fato de o PT não ter feito acordo com o PMDB na tentativa de reeleição de Marta em 2004. Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista, tem se queixado da postura petista.

Apesar de dizer que não trabalha com a hipótese de Marta não concorrer à prefeitura paulistana, Tatto prevê a realização de prévias para escolha de outro nome. Entre os possíveis candidatos estão o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, o deputado José Eduardo Cardozo e o senador Aloizio Mercadante, além do próprio Tatto.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below