Accor procura se blindar contra crise investindo em emergentes

quarta-feira, 9 de abril de 2008 14:46 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo francês Accor decidiu apostar no rápido crescimento dos países emergentes para ficar menos imune a uma possível recessão no mercado norte-americano ou mesmo mundial. A companhia anunciou nesta quarta-feira no Brasil a primeira "joint venture" do grupo na América Latina para lançamento de hotéis de categoria econômica, modelo já adotado em outros emergentes como China, Índia e Marrocos.

A parceria com a construtora WTorre prevê investimento de 500 milhões de reais para construção de 20 hotéis até 2011. A empresa brasileira responderá por 80 por cento dos recursos e será dona dos ativos. Os demais 20 por cento virão da Accor, que fará a gestão dos hotéis.

"A hotelaria econômica tem mais resistência e é mais robusta para enfrentar possíveis crises", afirmou Gilles Pélisson, presidente-executivo mundial do grupo Accor, em encontro com a imprensa brasileira.

Por isso, em todos esses países, os acordos são para implantação de hotéis das marcas Ibis e Formule1, que no grupo equivalem aos modelos econômicos e super-econômicos, respectivamente. Segundo ele, os mercados emergentes têm hoje economias muito fortes, com grande demanda interna.

"A pouca dependência do Brasil em relação aos Estados Unidos é tal que permite que o Brasil de amanhã esteja melhor preparado para uma possível recessão", explicou o executivo.

De acordo com Pélisson, a diversificação faz parte da estratégia do grupo para também reduzir a sua dependência de um ou outro mercado. A decisão de criar parcerias nasceu da percepção da empresa francesa de que não é mais necessário ser proprietária dos hotéis que opera.

Na China, Índia, Marrocos e Argélia, o retorno sobre investimento ficou em torno de 15 por cento. "O mesmo que esperamos para o Brasil", afirmou o executivo.

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