Tumultos por falta de alimentos podem crescer no mundo, diz FAO

quarta-feira, 9 de abril de 2008 13:53 BRT
 

Por Mayank Bhardwaj

NOVA DÉLHI (Reuters) - Os tumultos provocados pela falta de comida que atingiram vários países pobres recentemente podem se disseminar já que a carência de alimentos e os preços elevados devem perdurar por algum tempo, afirmou o chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Uma combinação de altos preços do petróleo e dos combustíveis, de uma demanda crescente por produtos alimentícios em uma Ásia cada vez mais rica, da utilização de terras cultiváveis para produzir biocombustíveis, de condições climáticas desfavoráveis e da especulação nos mercados de futuro elevaram os preços dos alimentos, provocando violentos protestos em vários países pobres.

Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (cuja sede fica em Roma), afirmou na quarta-feira, durante uma visita à Índia, que há um risco crescente de instabilidade social em países nos quais as famílias gastam mais de metade de sua renda com a alimentação.

"O problema é bastante grave no mundo todo devido à acentuada elevação dos preços. Nós vimos distúrbios de rua no Egito, nos Camarões, no Haiti e em Burkina Fasso", disse Diouf a repórteres, em Nova Délhi.

Cinco pessoas foram mortas em uma semana de manifestações no Haiti, país mais pobre das Américas, devido ao alto preço dos alimentos, ao passo que sindicatos de Burkina Fasso (país localizado no oeste da África) convocaram uma greve geral em vista do aumento dos preços da comida e dos combustíveis.

"Há um risco de que essa instabilidade espalhe-se para países onde 50 a 60 por cento da renda das pessoas são gastos com a alimentação", acrescentou o dirigente da FAO.

Segundo os estoques de cereal no mundo seriam suficientes para atender à demanda por oito a 12 semanas. E acrescentou que o suprimento de grãos encontrava-se em seu menor patamar desde os anos 80.

"Isso se deve à uma demanda maior de países como a Índia e a China, onde o PIB (Produto Interno Bruto) cresce a taxas de 8 a 10 por cento e o aumento da renda canaliza-se para a alimentação", disse Diouf após reunir-se com o ministro indiano da Agricultura, Sharad Pawar.   Continuação...