9 de Outubro de 2008 / às 17:47 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Crédito enxuto faz mercado olhar bancos menores com lupa

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 9 de outubro (Reuters) - O estreitamento da liquidez provocado pela crise financeira internacional está intensificando a vigilância das instituições do mercado sobre bancos domésticos de pequeno e médio portes, a despeito das medidas anunciadas recentemente pelo Banco Central.

Sem a liquidez imediata proporcionada com a emissão de Certificados de Depósito Bancários (CDBs), que deixaram de ser aceitos por investidores, os pequenos estão sendo levados a saldar dívidas, reduzir a oferta de financiamento e considerar a venda de carteiras para não ter a posição de solvência comprometida.

Especialistas avaliam que a situação segue administrável e o BC tem se mostrado disposto a usar todo seu arsenal, como as novas linhas de redesconto, redução do compulsório sobre determinadas operações e a flexibilização das regras para a compra de carteiras dos pequenos pelos grandes.

Com vários afrouxamentos no volume de recursos que os bancos são obrigados a recolher, o BC já liberou cerca de 60 bilhões de reais para operações de crédito.

Para o diretor-executivo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Antônio Carlos Bueno de Camargo Silva, as medidas devem criar um colchão de liquidez adicional também para pequenos bancos, que ficarão menos pressionados a vender parte das carteiras.

Nos últimos 30 dias, o órgão privado, responsável por prestar garantia de crédito de suas sócias, registrou quatro operações de compra de carteiras, totalizando 700 milhões de reais. "Bancos menores que estavam pressionados, agora poderão tocar a vida normalmente", disse à Reuters.

RISCO E PRECAUÇÃO

De todo modo, gigantes do varejo como Banco do Brasil (BBAS3.SA) e Caixa Econômica Federal já admitiram que estão negociando compra de carteiras de crédito consignado.

"É uma oportunidade de consolidar nossa posição de líderes do mercado de crédito consignado, hoje de cerca de 20 cento de market share", informou o BB por meio da assessoria.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, sob condição de anonimato, as medidas do BC inicialmente teriam mais o objetivo de conter a boataria em relação a determinados bancos médios excessivamente concentrados em financiamentos de prazos mais longos, como consignado de automóveis e, por isso mesmo, com menos acesso a liquidez imediata.

"O BC está apenas se preparando para ter flexibilidade imediata para agir, se necessário", disse Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban. "Não tem banco ruim das pernas", emendou João Augusto Frota Salles, da consultoria RiskBank.

Para Rafael Guedes, diretor da Fitch Ratings no Brasil, "não tem problema de crédito no Brasil". "O problema é de comportamento de mercado, num momento em que todo mundo está preocupado com liquidez", diz.

Pelo sim, pelo não, os próprios anúncios do BC ampliaram o alerta. Consultas a dados dos bancos, que eram feitas pelos avaliadores de risco a cada duas semanas, passaram a acontecer diariamente.

Além disso, a Standard & Poor's tirou a perspectiva positiva dos únicos dois bancos brasileiros que tinham essa indicação, o Indusval IDVL4.SA e o Daycoval DAYC4.SA.

O movimento foi seguido pela Fitch, que eliminou da lista de possível elevação os bancos Daycoval, BicBanco BICB4.SA, Panamericano BPNM4.SA, Pine (PINE4.SA) e Tricury.

"Num momento como esse, nenhum banco no mundo pode ter perspectiva positiva", explicou Guedes.

Segundo analistas, parte dos agentes tem concentrado depósitos em instituições de maior porte. "De certa forma, os grandes estão sendo até beneficiados pela crise", disse um profissional que pediu para não ser identificado.

O empoçamento de liquidez explica a diferença no comportamento das ações de bancos grandes e pequenos nos últimos 30 dias.

Segundo dados da Economática, gigantes como Unibanco UBBR11.SA, Itaú ITAU4.SA e Bradesco (BBDC4.SA) registraram queda de 15 a 20 por cento. Pequenos como Daycoval DAYC4.SA, BicBanco BICB4.SA, Panamericano BPNM4.SA, Pine (PINE4.SA) e Cruzeiro do Sul CZRS4.SA perderam de 45 a 55 por cento.

Edição de Daniela Machado e Alexandre Caverni

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