Brasil não teme debater Itaipu após eleição no Paraguai

quarta-feira, 9 de abril de 2008 15:56 BRT
 

ASSUNÇÃO (Reuters) - O Brasil vê com grande tranquilidade o processo eleitoral paraguaio, apesar da intenção do candidato favorito nas pesquisas de negociar novos preços pela energia da hidrelétrica binacional Itaipu, disse na quarta-feira um alto funcionário do Itamaraty.

O secretário-geral das Relações Exteriores do Brasil, Samuel Pinheiro Guimarães, disse também que o país não tem objeções em discutir a política energética bilateral com o vizinho, durante uma breve visita a Assunção.

"Não há questões que não possam ser discutidas, mas, da mesma forma, vemos com muita tranquilidade (o processo eleitoral) porque consideramos que Itaipu é um sucesso", disse o funcionário em uma coletiva na chancelaria paraguaia.

O candidato presidencial de oposição, Fernando Lugo, ex-bispo católico que lidera as pesquisas, defendeu em sua campanha um preço justo pela energia elétrica que o Paraguai vende a seu sócio na união aduaneira Mercosul.

O Paraguai é co-proprietário de Itaipu com o Brasil e da central de Yacyretá, com a Argentina, e vende quase a totalidade dos 50 por cento da energia reservada aos respectivos países por um preço estipulado por tratados. Lugo acredita que o preço seja injusto e propõe renegociar os convênios.

"Naturalmente, em um processo eleitoral, os candidatos têm posições distintas, mas nós temos muita tranquilidade. Assim como temos as melhores relações com a Bolívia, temos também as melhores relações com o Paraguai e isso continuará", garantiu o diplomata brasileiro.

As relações entre a Bolívia e o Brasil ficaram tensas devido ao preço do gás natural com a nacionalização dos hidrocarbonetos, em 2006.

As eleições paraguaias ocorrem no dia 20 de abril e escolherão novos presidente, vice-presidente e autoridades legislativas e regionais para os próximos cinco anos.

Todas as pesquisas apontam Lugo como favorito, mas os analistas são cautelosos ao prever um resultado, pois o peso do mecanismo eleitoral do partido do governo poderia complicar o desenlace.

(Reportagem de Mariel Cristaldo)