Para Dutra, eventual compra da Esso não gera concentração

quarta-feira, 9 de abril de 2008 16:00 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma eventual compra dos ativos de distribuição da Esso no Brasil pela Petrobras não provocará uma concentração de mercado nas mãos da estatal brasileira, afirmou nesta quarta-feira o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra.

Segundo ele, com uma possível aquisição da Esso, a participação de mercado da estatal brasileira subiria para 45 por cento na área de distribuição.

"Se você somar aritmeticamente, a participação da BR com os ativos da Ipiranga e da Esso não dá mais de 50 por cento... Quem decide concentração é o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)", afirmou ele a jornalistas, após palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

Dutra afirmou que a Petrobras detinha 35 por cento do setor de distribuição, e a partir da aquisição dos ativos da Ipiranga, junto com os grupos Ultrapar a Braskem, em abril de 2007, essa parcela teria subido para 39 por cento.

A Petrobras já informou ao mercado que está negociando com a Esso a compra dos ativos de distribuição da companhia norte-americana, que decidiu vender suas operações no setor no país para se concentrar em exploração e produção. A estatal já fez a oferta, não revelada, e aguarda decisão dos controladores da Esso.

Dutra preferiu não entrar em detalhes sobre o andamento das negociações.

"Quando compramos a Agip, por causa do GLP, o Cade olhou município a município e determinou que, onde excedesse a 50 por cento (de participação no mercado), a BR tinha de se livrar do excedente", acrescentou Dutra.

Ele afirmou que ainda este mês a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) deverá conceder a autorização para a nova distribuidora da Petrobras, a Alvo, que reúne os ativos de distribuição da Ipiranga que ficaram com a Petrobras.

(Edição de Roberto Samora e Denise Luna)