ANÁLISE-Crise reduz projeção de alta de minério para 2009

quinta-feira, 9 de outubro de 2008 13:56 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 9 de outubro (Reuters) - Bancos e corretoras começam a rever o patamar de reajuste de preços que a Vale (VALE5.SA: Cotações) poderá conseguir no próximo ano para o minério de ferro, depois de sinais de que a China, maior produtora de aço do mundo e principal cliente da empresa, não conseguirá escapar do impacto negativo da crise financeira nos Estados Unidos e na Europa.

Um possível aumento em torno de 20 a 30 cento para o preço do minério de ferro em 2009, que chegou a ser cogitado antes do agravamento da crise, já foi abandonado pelos especialistas mais otimistas. Diante da perspectiva de queda da demanda, já sinalizada pela redução no preço do aço em torno dos 20 por cento no mercado chinês, a aposta de ajuste agora gira na casa dos 10 por cento.

Para complicar a vida da mineradora brasileira, um ajuste adicional para 2008, de entre 11 e 13 por cento, pedido pela brasileira, ainda está na mesa das siderúrgicas asiáticas, o pode ser um fator negativo adicional nas conversas para o ano que vem.

A percepção é de que a Vale até vá conseguir o aumento extra para 2008, mas poderá ter um reajuste menor para 2009.

"Nosso cenário indica que a probabilidade de sair o aumento deste ano é alta", disse à Reuters o analista do JP Morgan, Rodolfo de Angele, que já projetava em função disso aumento de 10 por cento para 2009.

"Era uma visão mais conservadora em relação a outras projeções, mas não previa essa crise que teve", acrescentou.

"Só que se antes eu falava 10 por cento com risco de errar, de vir alguma coisa mais alta, hoje não tem mais isso", explicou o analista.

Já Cristiane Viana, da corretora Ágora, previa aumento em torno dos 30 por cento, o que será revisto.   Continuação...