Equador exige indenização da Odebrecht e ameaça com expulsão

terça-feira, 9 de setembro de 2008 16:33 BRT
 

QUITO (Reuters) - O Equador impôs nesta terça-feira um ultimato contra a construtora brasileira Odebrecht para que a companhia pague uma indenização por danos causados pela paralisação de uma central hidrelétrica, sob pena do país iniciar ações legais, encerrar contratos e expulsar a companhia de seu território.

As autoridades equatorianas pediram à Odebrecht uma indenização de 12 milhões de dólares pela paralisação da usina hidrelétrica San Francisco, construída pela brasileira ao custo inicial de 300 milhões de dólares.

A usina, segunda maior do país, foi inaugurada no ano passado, mas desde 6 de junho vem apresentando falhas técnicas que a obrigaram a interromper a geração, colocando em risco o abastecimento de energia do país andino.

"Se a Odebrecht não acatar as exigências imediatamente, terá que se preparar para sair do país porque todos os seus contratos serão encerrados", afirmou o presidente da estatal Fondo de Solidaridad, Jorge Glas, a jornalistas.

Procurada no Brasil, a Odebrecht informou que comentará o assunto via comunicado a ser distribuído ainda nesta segunda-feira.

O presidente do Equador, Rafael Correa, havia solicitado que a Odebrecht assumisse o pagamento das indenizações pela paralisação da usina, que tem 230 megawatts de capacidade, e devolver um prêmio pago pelo governo pela finalização do projeto antes do prazo previsto.

A companhia, que não chegou a responder às exigências econômicas do Equador apesar das ameaças de Correa de expulsá-la do país, mas se prontificou em reparar a represa até 4 de outubro e ampliar a garantia do projeto.

"O consórcio concedeu uma garantia de cinco anos para os trabalhos que se realizam atualmente no projeto, apesar da obrigação contratual determinar 180 dias", informou a Odebrecht em nota publicada em meios locais que não faz referência às ameaças do governo equatoriano.

A Odebrecht tem outro projetos no Equador como a construção de outra central hidrelétrica, uma estrada e um aeroporto na região amazônica, contratos que representam cerca de 800 milhões de dólares, segundo as autoridades do país. Segundo Glas, essas obras também serão dadas por encerradas caso não ocorrer uma resposta imediata que reconheça as reparações pedidas pelo país, apesar de não se encontrarem dentro do contrato.   Continuação...