FMI alerta para gasto excessivo na América Latina

sexta-feira, 9 de novembro de 2007 10:06 BRST
 

Por Lesley Wroughton

WASHINGTON (Reuters) - As economias da América Latina se tornaram mais resistentes à turbulência global, mas muitos países podem assistir a uma rápida reversão dos superávits fiscais se não reduzirem os gastos, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI), nesta sexta-feira.

No relatório mais recente sobre as perspectivas para o hemisfério ocidental, o FMI alertou que, se o crescimento dos gastos seguir a uma taxa média de 8 a 10 por cento, a região provavelmente vai voltar a ter déficits primários em dois a três anos mesmo que a receita continue nos níveis atuais.

"Para criar as condições para maiores gastos de capital e para estabilizar os balanços fiscais, o crescimento dos gastos correntes precisa ser cortado e melhor direcionado, particularmente para gastos sociais com foco na redução da pobreza", afirmou o FMI.

"Se o crescimento dos gastos não diminuir, os balanços fiscais vão se desgastar rapidamente e a região pode voltar rapidamente a registrar déficits primários."

Anoop Singh, diretor do FMI para o Departamento do Hemisfério Ocidental, não quis comentar o excesso de gastos de cada país, dizendo que esses detalhes serão tratados em encontros do fundo com os próprios países.

Ainda assim, o FMI afirmou que a região está usufruindo de um ciclo de crescimento que já dura cinco anos e parece prestes a superar outros momentos históricos.

"O que é diferente dessa vez é que os fundamentos macroeconômicos estão fortes", disse Singh.

Mas os modelos mostraram que se os Estados Unidos sofrerem uma recessão, com alta dos spreads corporativos para cerca de 700 pontos-básicos e queda das taxas de juros de curto prazo, a região vai ter seu crescimento seriamente afetado. Isso não levaria, porém, a uma forte recessão, informou o FMI.   Continuação...