Petroleiras privadas avaliam se 9a rodada ainda vale a pena

sexta-feira, 9 de novembro de 2007 17:19 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 9 de novembro (Reuters) - As empresas privadas que atuam no setor de petróleo no Brasil estão avaliando se ainda vale a pena participar da nona rodada de licitações de áreas de petróleo e gás, depois que o governo retirou áreas com potencial elevado de descobertas a duas semanas do leilão.

"Esta rodada será bem menos atrativa para algumas empresas. A época que o governo escolheu para retirar os blocos foi infeliz", disse a jornalistas o presidente da Devon Energy do Brasil, Murilo Marroquim.

"O governo já tinha conhecimento do pré-sal há muito tempo, não precisava esperar até novembro para tirar as áreas. As empresas já investiram dezenas de milhões de dólares para estudar o dados dessas áreas", criticou Marroquim, que se disse em "estado de choque" e por isso ainda não sabe dizer se a Devon estará presenta no leilão da ANP.

O governo decidiu na quinta-feira retirar 41 dos 312 blocos do leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), previsto para os dias 27 e 28 de novembro, e que tinham grande potencial de descobertas.

A medida foi motivada por "interesse soberano", segundo resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), depois que a Petrobras descobriu o reservatório gigante do campo de Tupi na chamada camada pré-sal (ultraprofunda) na bacia de Santos. A descoberta levou o governo a anunciar também que vai rever o marco regulatório do setor.

Pela Lei do Petróleo, esses blocos terão que ser alienados em licitação para serem desenvolvidos, mas a indústria teme que o governo modifique a lei para beneficiar a Petrobras (PETR4.SA: Cotações). Dependendo do grau de mudança, existe o temor que o processo tenha que passar pelo Congresso brasileiro e interrompa o ritmo de crescimento da indústria.

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) e também da Repsol Brasil, João Carlos de Luca, o governo tem o direito de escolher como vai conduzir a política energética, mas alertou para o risco do Brasil perder credibilidade junto ao mercado internacional.

"Suspender a 8a rodada (em 2006) já causou a descontinuidade do processo. Isso impacta e não contribui para a questão da previsibilidade que tanto defendemos", afirmou de Luca, que participou da elaboração do atual marco regulatório do setor.   Continuação...