ANÁLISE-Reserva gigante da Petrobras enfrenta desafio de custo

sexta-feira, 9 de novembro de 2007 18:14 BRST
 

Por Andrei Khalip

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Grandes desafios relacionados a custos e a questões técnicas aguardam a Petrobras no caminho para o desenvolvimento da jazida gigante de petróeo e gás de Tupi anunciada na quinta-feira, disseram geólogos e especialistas do setor nesta sexta.

Eles afirmam que, antes de produzir abaixo de uma camada de sal a 6 mil metros de profundidade, a Petrobras ainda teria que coletar grandes quantidades de dados sobre o fluxo do reservatório e então provavelmente enfrentaria o triplo dos custos para um poço na comparação com perfurações em campos normais e acima do sal.

O campo de Tupi, na bacia de Santos, tem reservas recuperáveis estimadas em 5 bilhões a 8 bilhões de barris, sendo 85 por cento de petróleo leve. Essa foi a maior descoberta no Brasil, que pode aumentar em 50 por cento as reservas do país.

"A questão do fluxo do reservatório é importante e ainda é uma incerteza. Se o reservatório for apertado, seria necessário mais poços, poços bem caros", disse Ruaraidh Montgomery, da consultoria Wood Mackenzie, em Edimburgo.

Analistas destacaram que apesar de com os preços atuais do petróleo nenhum nível de gasto parecer alto demais, uma possível queda dos preços colocaria mais pressão sobre a Petrobras para desenvolver um projeto complicado como Tupi no futuro.

O professor Giuseppe Baccocoli, geólogo e entusiasta da exploração pré-sal (ultraprofunda) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que o custo do projeto poderia ser multiplicado por mais de 10 em comparação com outros empreendimentos da Petrobras.

"Se um poço na bacia de Campos pode custar 10 milhões de dólares, em Tupi seriam 120 milhões", disse ele. O poço teria que perfurar 2 mil metros de sedimentos e 2 mil metros de sal.

"Nessa profundidade, o sal se torna uma massa plástica que se move tentando fechar o poço. Tentamos antes e sempre tivemos esse problema", disse ele.   Continuação...