June 9, 2008 / 7:01 PM / 9 years ago

Cabral diz que teve compreensão de Lula para fim do apoio ao PT

3 Min, DE LEITURA

RIO DE JANEIRO, 9 de junho (Reuters) - O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, disse nessa segunda-feira que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de tomar a decisão de romper a aliança do PMDB com o PT para as eleições municipais na capital do Estado.

Cabral deu a entender que Lula não fez objeção ao fim do acordo que unia os dois maiores partidos da base aliada do governo federal.

"O que eu digo é que o presidente Lula é um democrata", disse Cabral a jornalistas, depois de participar de evento com líderes empresariais.

Com o fim da aliança, o PMDB decidiu lançar o ex-secretário de Esportes e Lazer, Eduardo Paes, o que enfraqueceu a candidatura do petista Alessandro Molon. O PT nacional cogita agora a retirada da candidatura de Molon, emprestando apoio à Jandira Feghali, do PCdoB. A negociação teria como contrapartida a desistência de Aldo Rebelo (PCdoB) de concorrer à prefeitura de São Paulo, passando a apoiar Marta Suplicy (PT).

Cabral afirmou que a boa relação que mantém com o presidente Lula não será desgastada pela decisão política do PMDB.

"A relação com o presidente Lula está cada vez mais forte. Liguei para o presidente e expliquei a ele o que estava ocorrendo", disse Cabral, revelando uma vez mais que não houve atritos com a decisão.

Cabral disse que ainda não conversou com Molon sobre o fim da aliança, mas garantiu que pretende procurá-lo para uma conversa, já que o considera "um dos principais deputados estaduais do Brasil".

"O Molon demonstrou mais uma vez o que eu já esperava dele. É uma pessoa séria, sensata, que deu declarações extremamente ponderadas. Eu já o respeitava e agora só fortaleceu o meu respeito e da minha família por ele."

O governador do Rio disse que seu candidato sempre foi Eduardo Paes, e que quando o convidou para deixar o PSDB e ingressar no PMDB foi com esse compromisso.

"Eu disse à bancada do PMDB que não sendo o Eduardo Paes, eu optaria por uma aliança com o PT. As lideranças majoritárias do PMDB entenderam que a candidatura do Paes era de intensidade e capacidade e fico feliz por essa decisão", afirmou.

Cabral contou que o diretório do PMDB no Rio de Janeiro revogou definitivamente nessa segunda-feira o acordo com o DEM, feito em setembro de 2007, optando pela candidatura própria. O acordo já havia sido derrubado na prática, mas não encerrado oficialmente.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Mair Pena Neto

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