Oposição pede abertura de quinto processo contra Renan

terça-feira, 9 de outubro de 2007 18:36 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Na quinta ação do gênero, os partidos de oposição entregaram à Mesa do Senado nesta terça-feira representação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O motivo da quinta tentativa de cassar o mandato do senador alagoano é a denúncia contra Renan de tentar espionar dois senadores adversários. A Mesa definirá se remete a ação para análise do Conselho de Ética.

PSDB e DEM argumentam na ação que, com a espionagem, Renan estaria incorrendo em abuso de poder na utilização de seu cargo de presidente do Senado.

Renan terá de dar explicações sobre a acusação de que estaria montando um esquema para espionar os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).

De acordo com publicações da imprensa, Renan teria usado um assessor do Senado, o ex-senador Francisco Escórcio, e advogados para espionar atividades de Demóstenes e de Perillo.

Escórcio teria planejado a instalação de câmeras de vídeo em um hangar de táxi aéreo em Goiânia para filmar os senadores em alguma atividade ilegal. O plano só não teria progredido porque o dono do hangar, o ex-deputado Pedro Abrão, se negou a participar do esquema.

Renan Calheiros disse que a acusação é falsa e considerou a espionagem prática "inescrupulosa, imoral e ilegal". Escórcio também negou que tenha tentado montar o esquema.

A série de denúncias contra Renan começou em maio, quando a revista Veja informou que ele usava um lobista da construtora Mendes Júnior para realizar os pagamentos da pensão de uma jornalista com quem ele tem uma filha fora do casamento. Após ampla defesa, o plenário do Senado decidiu, em setembro, pela absolvição e Renan manteve o mandato parlamentar, apesar da recomendação de cassação feita pelo Conselho de Ética.

Renan é acusado ainda de beneficiar uma cervejaria, de ter usado "laranjas" para adquirir rádios em Alagoas e de participar de um esquema de corrupção em ministérios ocupados pelo PMDB. O senador refuta todas as acusações.

Três ações foram pedidas pelo PSOL e a referente às rádios teve a iniciativa do Democratas.