23 de Outubro de 2007 / às 02:40 / 10 anos atrás

Peso da A.Latina no Santander cresce 20% com ABN, avalia Fitch

Por Juliana Siqueira

SÃO PAULO, 9 de outubro (Reuters) - A aquisição do ABN Real pelo Santander elevará o peso dos ativos latino-americanos no banco espanhol em 20 por cento, ajudando-o a avançar nas áreas de varejo e crédito ao consumidor no Brasil, segundo avaliação da agência de classificação de risco Fitch.

"Para o Santander, a aquisição (do ABN Real)... proporcionará a oportunidade de incrementar atividades de banco de varejo e de crédito ao consumidor", avaliou a agência em relatório.

"Qualquer aumento do perfil de risco resultante da incorporação do ABN Real será, em grande parte, contrabalançado pela melhora da sua franquia no Brasil e pela maior presença do grupo na Europa."

Segundo a Fitch, quando os bancos estiverem integrados, a América Latina passará a responder por cerca de 18 por cento do total dos ativos do grupo, frente aos 15 por cento de dezembro de 2006.

Na segunda-feira, o trio de bancos formado por Santander (SAN.MC), Fortis FOR.BR e Royal Bank of Scotland (RBS.L) informou que obteve apoio de 86 por cento dos acionistas do ABN, abrindo caminho para que o grupo consiga fazer a maior aquisição da história do setor.

A oferta foi de quase 72 bilhões de euros --destes, o Santander ficou com a menor parte, em torno de 20 bilhões de euros.

O negócio fará o banco espanhol pular da sétima posição no ranking brasileiro para a terceira, atrás somente de Banco do Brasil (BBAS3.SA) e Bradesco (BBDC4.SA). O Itaú ITAU4.SA cairá para a quarta colocação.

Procurados, os três bancos preferiram não comentar, mas o presidente do Bradesco, maior banco privado do país, Márcio Cypriano, afirmou na semana passada que não acreditava que o negócio aumentaria a competição no país, uma vez que Santander e ABN já atuam no Brasil.

SINERGIAS

O Santander vê forte complementaridade de negócios na principal região do país (Sul/Sudeste), onde deve elevar sua participação a 16 por cento, segundo documento da oferta disponível no site da instituição.

Em São Paulo, por exemplo, o Santander tem 13 por cento do mercado e o ABN tem 7 por cento. No Rio de Janeiro, o Santander conta com 3 por cento e o ABN Real, com 10 por cento. Já em Minas Gerais, o banco espanhol tem 2 por cento e o ABN, 7 por cento.

"O Real é mais forte em áreas como segmento de mercado de massa, crédito ao consumidor e pequenas e médias empresas, enquanto o Santander é mais forte em áreas como alta renda e grandes empresas", citou o banco espanhol no documento.

O Santander acredita que a instituição resultante da fusão entre os dois ainda vai gerar lucro líquido proforma mais de 25 por cento inferior ao lucro líquido esperado para Bradesco e Itaú.

Mas, no médio prazo, o objetivo "é alcançar o mesmo nível de lucro gerado por Bradesco e Itaú mediante a obtenção de sinergias de custos e melhora da receita, assim como o investimento no desenvolvimento de uma marca líder no Brasil."

O banco espera obter sinergia total de 810 milhões de euros com a unidade de negócios da América Latina.

Em 2006, o Bradesco teve lucro de 6,36 bilhões de reais, enquanto o Itaú ganhou 6,48 bilhões de reais, excluindo a aquisição do BankBoston.

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