Lula aposta em vitória brasileira na "guerra" do etanol

segunda-feira, 9 de junho de 2008 08:40 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a usar seu programa de rádio semanal para defender o etanol brasileiro, assunto discutido na reunião da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), na semana passada.

Lula também anunciou que o governo estuda medidas para melhorar as condições de trabalho dos cortadores de cana-de-açúcar, recentemente criticadas em relatório da Anistia Internacional.

No programa "Café com o Presidente", Lula afirmou que as críticas ao etanol brasileiro, apontado como responsável pela alta no preço dos alimentos e no desmatamento da Amazônia, fazem parte de "uma verdadeira guerra comercial".

"Nós sabemos os interesses dos países que não produzem etanol, ou produzem etanol do trigo, ou produzem etanol do milho, que não é competitivo, é mais caro, diferentemente da cana", disse o presidente.

Lula também defendeu o etanol das críticas relacionadas às condições precárias de trabalho em canaviais.

"Eu reconheço que é pesado o trabalho na cana-de-açúcar, reconheço que é muito pesado o trabalho no corte de cana, agora não é mais pesado que os trabalhadores que trabalham numa mina de carvão (...) que foi a base do desenvolvimento de muitos países europeus", disse Lula.

O presidente também anunciou que o chefe da Secretário-Geral da Presidência, Luiz Dulci, está em contato com empresários do setor sucroalcooleiro sobre a melhora nas condições de trabalho dos cortadores de cana. Segundo Lula, a intenção do governo é melhorar a qualificação dos trabalhadores para evitar o desemprego com a troca do corte manual pelo mecanizado.

"Nós não queremos substituir o homem pela máquina, nós queremos que a máquina corte cana, mas queremos que o ser humano que hoje corta a cana tenha a possibilidade de ter um trabalho melhor, um trabalho digno", comentou.

(Por Eduardo Simões)