9 de Abril de 2008 / às 13:29 / 9 anos atrás

Inflação surpreende para cima e reforça alta de juro

Por Vanessa Stelzer

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Três dados de inflação divulgados nesta semana registraram leituras acima do esperado pelo mercado para março e começo de abril, transformando praticamente em consenso a possibilidade de uma alta de juros já na semana que vem.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) --que serve de referência para a meta de inflação-- mostrou nesta quarta-feira alta de 0,48 por cento no mês passado, registrando o maior março desde 2005.

O dado ficou similar à leitura de 0,49 por cento de fevereiro e superou o teto das previsões de 33 analistas ouvidos pela Reuters, de 0,46 por cento.

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu 0,33 por cento na primeira prévia de abril, ante 0,34 por cento em igual período de março e previsão do mercado de 0,20 por cento.

"Reforça, com certeza, a previsão de alta de juros na semana que vem e inclusive aumenta as apostas (nos mercados futuros) de um movimento mais agressivo em abril", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, que aposta em aumento de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima quarta-feira.

"O dado do IPCA mostra que o BC estava do lado mais correto das previsões quando fez uma avaliação mais pessimista da inflação, que realmente foi forte em março. O IGP-M também veio nessa direção."

ALIMENTOS PRESSIONAM

A principal pressão nos dois índices divulgados nesta manhã veio dos alimentos, com destaque para os in natura e para a pressão das commodities. Na véspera, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou a alta para 0,64 por cento na primeira prévia de abril, contra previsão do mercado de 0,55 por cento, também pressionado por alimentação.

A alta dos preços do grupo Alimentos e Bebidas contribuiu com 0,20 ponto percentual do IPCA de março. As pressões vieram de tomate, óleo de soja (em razão da alta da soja no início do ano), ovos, açúcar cristal, feijão preto e pão francês (devido à elevação do trigo).

Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento, afirmou que a aceleração da inflação concentrou-se nesses itens e que deve perder força à frente, mas ressaltou que a reação imediata do mercado não deve ser otimista.

"Alimentação veio muito mais forte. Os preços de serviços até vieram bem, com recuo na variação acumulada em 12 meses, o que é positivo, mas acho que com um resultado tão longe das previsões, o humor do mercado não vai ser bom", afirmou ele.

"Você tem alta concentrada em poucos itens de alimentação, o que é favorável. Logo você terá a regularização da oferta do tomate, por exemplo, então a tendência é cair."

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier

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