FMI receita à A. Latina menos gastos e não controlar capitais

terça-feira, 9 de outubro de 2007 22:58 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - Os países da América Latina devem conter seus gastos e não tentar controlar a entrada de capitais para tentar frear os efeitos nocivos deste tipo de fenômeno, afirmou o Fundo Monetário Internacional em relatório na terça-feira.

O fluxo de capitais privados para a América Latina tem crescido desde 2004 e deve alcançar neste ano níveis próximos aos máximos registrados na década de 1990, informou o FMI.

No relatório "Perspectivas da Economia Mundial", o Fundo dedica um capítulo à gestão de grandes entradas de capital, incluindo a América Latina. O documento menciona exemplos sobre quais seriam as melhores formas de enfrentar esses fluxos.

"Na América Latina esses fluxos líquidos de capitais privados, como percentual do Produto Interno Bruto (PIB), vêm aumentando desde 2004 e devem retornar aos níveis dos anos 1990 no decorrer deste ano", afirma o relatório.

A partir da análise de mais de 100 casos no mundo todo nos últimos 20 anos, especialistas do FMI concluíram que manter uma "trajetória firme" do gasto público, sem aumentá-lo excessivamente, é melhor que tentar controlar o ingresso de capitais mediante restrições.

Com uma política de gastos controlada, afirma o Fundo, "consegue-se mitigar os efeitos prejudiciais das grandes entradas de capital, já que se alivia a pressão sobre a demanda agregada e se contém a apreciação do tipo de câmbio real".

Tentar impor medidas administrativas ou de mercado para controlar a entrada e saída de capitais, por outro lado, pode trazer "consequências macroeconômicas mais graves, uma vez concluídos os episódios", advertiu o FMI.

(Por Adriana Garcia)