CONSOLIDA2-Alimento surpreende, IPCA reforça visão de juro maior

quarta-feira, 9 de abril de 2008 12:19 BRT
 

(Texto reescrito com dados adicionais e comentários do IBGE e da FGV)

Por Vanessa Stelzer e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 9 de abril (Reuters) - A alta das commodities no mercado internacional e o aumento da demanda interna estão impedindo uma desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador usado como referência para as metas de inflação do governo, afirmou o IBGE nesta quarta-feira.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados pela manhã mostraram que a inflação em março superou o teto das previsões do mercado, transformando praticamente em consenso a possibilidade de uma alta de juros pelo Banco Central já na semana que vem.

O IPCA subiu 0,48 por cento no mês passado, maior elevação para março desde 2005. O dado ficou próximo à leitura de 0,49 por cento de fevereiro, mas superou o teto das previsões de 33 analistas ouvidos pelas Reuters, de 0,46 por cento.

"Reforça, com certeza, a previsão de alta de juros na semana que vem e inclusive aumenta as apostas (nos mercados futuros) de um movimento mais agressivo em abril", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, que prevê um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom.

"O dado do IPCA mostra que o BC estava do lado mais correto das previsões quando fez uma avaliação mais pessimista da inflação, que realmente foi forte em março."

O economista-chefe da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, considera o aumento na Selic inevitável, mas acha que o Banco Central terá que ser muito preciso na ata para não criar pânico no mercado.

"Não podemos deixar de olhar para a expansão dos investimentos que é importante para tirar a economia da armadilha do limite da capacidade", disse Quadros a jornalistas.   Continuação...