Montadoras têm abril com recorde de vendas e produção

sexta-feira, 9 de maio de 2008 17:05 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria automotiva brasileira obteve em abril seu melhor desempenho histórico, com vendas e produção recordes e pode elevar em junho suas estimativas para todo o ano, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pela associação que representa as montadoras instaladas no país, a Anfavea.

O setor vendeu em abril 261,2 mil veículos novos no mercado interno, acima do recorde anterior de outubro de 2007, de 244,5 mil unidades, e ultrapassou pela primeira vez a marca de 300 mil veículos fabricados em um único mês.

O desempenho acontece depois de um primeiro trimestre que já havia sido recorde e apesar de uma greve de auditores da receita federal que afetou linhas de produção por conta de atrasos em entregas de componentes.

Apesar do resultado recorde, o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, afirmou a jornalistas que a entidade deixou para o próximo mês para revisar sua projeção de vendas e produção para o ano. A previsão atual é de expansão nas vendas em 17,5 por cento sobre 2007, para 2,895 milhões de veículos, e aumento do volume fabricado em 8,9 por cento, para 3,235 milhões de unidades.

Até abril, as vendas já somam 909,2 mil unidades e a produção 1,09 milhão de veículos. Segundo um representante da entidade, que pediu para não ter seu nome revelado, até o momento o desempenho do setor vem acompanhando as projeções "mas os vetores estão apontando para cima", sinalizando uma elevação das perspectivas na próxima reunião de junho.

Segundo Schneider, a capacidade da indústria automotiva nacional está em 3,6 milhões de veículos e no segundo semestre esse nível deve se ampliar para 3,85 milhões, passando a 4 milhões em 2009. "Nós superamos a marca dos 300 mil veículos por mês. São poucos os países do mundo que fazem isso", comemorou o presidente da Anfavea.

Apesar do crescimento acelerado, o setor enfrenta alta nos preços de commodities, em especial do aço e também passa por pressão do real valorizado que prejudica exportações em dólar. Com isso, aumentos de preços podem ocorrer nos próximos meses.

"O movimento é de uma grande negociação (com siderúrgicas), mas se houver aumento de custos, vai haver aumento de preços... mas nossos índices de inflação estão abaixo dos de mercado", disse Schneider.   Continuação...